Visit to Frankfurt´s Christmas markets

IMAG2397É Natal, é Natal.. tudo bate o pé e as papilas gustativas. Boicote às dietas, às coisas baixas em calorias, ao glúten free e tudo o mais que restringe hidratos de carbono, fritos e açúcar refinado. Venham as filhoses, o tronco de Natal, as fatias douradas e todas as coisas boas que a época natalícia nos habituou. Há quatro anos que não passo uma quadra natalícia em casa, abraçar o mundo como profissão comporta custos altos, muitas vezes sem época de saldos. Mas este ano fui uma feliz contemplada com férias no Natal e comecei este mês de Dezembro da melhor maneira possível, com uma visita a Frankfurt e aos seus fantásticos Mercados de Natal.

Estes mercados são sinónimo de uma coisa: comer até não poder mais, especialmente quando estamos na Alemanha onde se encontram as melhores salsichas do mundo, uma variedade infinita de pretzels de diferentes tamanhos e coberturas e se aquece a alma e as mãos com canecas de Gluhwein, o vinho quente.

DSC07118O vinho quente é uma bebida de inverno típica de vários países europeus: Alemanha, Suécia, Islândia, França, Suíça e Itália também. Depois de despejar o vinho numa panela ao lume, juntar um limão às rodelas, açúcar, paus de canela e cravinho. Deixar aquecer, sem ferver. Retirar do lume, deixar descansar 1 hora e voilá.. zumba na caneca!

DSC07120Depois, é só deambular pelas barraquinhas e dar o estômago ao manifesto pelos prazeres da cozinha alemã. Deixo aquelas que mais me deixaram o paladar aos saltos. É favor BABAR!

Quando na Alemanha o assunto são salsichas não há como não parar neste grelhador circular suspenso de onde fumega todo um aparato de salsichas e carnes.

Optei pela “CurryWurst” – salsicha com tempero de caril, um molho de espessura média de sabor forte e agridoce. Depois de comer a salsicha há um papo seco para rapar o resto do molho da travessa de papel. Na culinária, tal como na natureza, nada se desperdiça..

IMAG2358Este foi outro stand que me chamou a atenção. Aquilo que à partida pode parecer uma fartura são as famosas kartoffelpuffer – panquecas alemãs de batata. São uma espécie de ashbrown em forma de panqueca que é servida com molho de maçã ou, como se diz em alemão, apfelmus. Nhaaaami!

KartoffelpufferE não há como não cair na tentação de comprar o tradicional pretzel. Com sal, sementes, açucar ou chocolate.. hmmm, qual vai ser??

PretzelsOra aqui encontramos a batata frita elevada ao seu expoente máximo do milagre da multiplicação. Confesso que nunca tinha visto tanto teor de gordura junto.. é que são resmas, paletes! Mais que as mães! Vamos lá adicionar mais tecido adiposo às pegas do amor com uma porção modesta destas batatas-fritas, falta só escolher o molho: ketchup, mayonese, mayonese com alho, mostarda ou vai tudo junto?French FriesE claro, há que deixar um cantinho estomacal para a guloseima..

German SweetsEstes doces em forma de cone chamam-se Mohrenkopf e são primos bastante chegados das nossas bombocas. Têm uma imensidão de coberturas pelo que reduzi as opções de escolha a chocolate de leite ou limão.. Sim, o chocolate de leite foi mesmo o vencedor!

German SweetsTermina aqui a minha primeira aventura gastronómica pelos mercados de Natal em Frankfurt. Um bem haja à Sra. Merkel que, apesar de gostar de mandar umas postas de austeridade na economia de países alheios, as deixa fora do campo culinário do seu..

Vom Nikolaus!

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IMAG2397Christmas time has arrived! Let´s boycott diets and all low calories, low carb and gluten free food items. Time to indulge ourselves with refined sugar, fat and whole purpose flour.
It´s been 4 years since I left home to embrace a flight attendant life in Dubai, 4 years that I don´t spend Christmas at home. Yep, travelling the world is a high cost job, with few opportunities for a “sales season”. Happilly I was given leave for Christmas this year and started December the best possible way: with a visit to Frankfurt and its wonderful Christmas markets.

These markets mean one thing: eat until you drop. Specially if you are in Germany, where you find the best sausages and an endless variety of pretzels whereas you warm up soul and hands with mugs of Gluhwein, mulled wine.

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Mulled wine is a typical winter drink from several European countries: Germany, Sweden, Iceland, France, Switzerland and Italy as well. After pouring the wine into a pot, add lemon slices, sugar, cinnamon sticks and cloves. Heat without boiling. Remove from heat, let it rest for 1 hour and voilá..

DSC07120Then you just need to wander around the stalls and let your stomach embrace the pleasures of Germain cuisine. Here are some which delighted my taste buds! Warning: you might drool.

If you´re craving for German sausages, then this suspended round-shape grill with a wide variety of sausages fuming might be your dream come true..

I chose the “CurryWrust” – a sausage with a medium-thick bittersweet curry sauce, plus curry seasoning on top. Delicious! If you happened to still have some sauce after finishing the sausage, no problem – the curry wurst comes with a small bread which can be used to scrape the plate or finges can be used also! In cuisine, as in nature, nothing is wasted!

IMAG2358These are called kartoffelpuffer – germain potato pancakes. It´s like an ashbrown with pancake shape and it´s served with apfelmus – apple sauce. It´s just yumi!

KartoffelpufferWhen in Germany, pretzels are a requeriment – with salt, sesame seeds, sugar or covered in chocolate! Hmmm, what to choose?

PretzelsLet´s add more centimeters to our “love handles” shall we? I´ve never seen in the world such big amount of french fries! With ketchup, mayonese, garlic mayonese, mostard or all together?

French FriesAnd, of course, you always have to leave a small corner in your stomach for some sweets..

German SweetsLast but not least, the Mohrenkopf, a chocolate-coated kind of marshmallow treat, which has different variations and names around the world. Several countries claim its invention or consider it to be their “national confection.” In the market there was a wide selection of topings, which I reduced to two: milk chocolate or lemon?

German SweetsAnd that´s all food lovers. Hope I got your taste buds “jingling” for German cuisine.Have yourselves a very merry fatty and sugarish Christmas! Or, simply..

Vom Nikolaus!

PS: Kind regards to Frau Merkel who enjoys inflicting austerity upon foreign countries, but fortunately leaves it behind when German cuisine is at stake..

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Brisbane | Visit to Lone Pine Koala Sanctuary

A semana passada tive o prazer de voltar a Brisbane, Austrália. Uma cidade catita, agradável, de inverno ameno onde os 19ºC nocturnos somente obrigam àquele casaco leve para cobrir os ombros. Gosto das cidades Australianas, há sempre um saxofone, uma guitarra, ou qualquer outra forma de arte a expressar-se pelas esquinas. Também há os Bagel Bars; as lojas Sushiro, que vendem rolos de sushi prontos a morder; a cadeia Pie Face – um franchising que vende uma variedade de tartes com um smile desenhado no topo. Há também os TimTam, os melhores biscoitos do mundo para beber com café e o famoso Vegemite – a coisa mais intragável que alguma vez provei. Adianto um pedido de desculpas por qualquer susceptibilidade que possa ter ferido, mas não encontro outra palavra para descrever o creme para barrar mais famoso do mundo, a seguir à Nutella.

Aussie stuffAcima de tudo, a minha passagem por Brisbane ficou marcada pela visita ao Santuário de Coalas Lone Pine, um parque de preservação animal, fundado em 1927, onde se encontra uma variedade notável, tanto amorosa como viscosa, de espécimes Australianos, bichos que pura e simplesmente desconhecia que existiam – toda uma Neo Arca de Noé versão “aussie.” É também o maior e mais antigo santuário de coalas do mundo. Aconselho vivamente uma visita, especialmente para quem nunca teve oportunidade de conviver com estes animais adoráveis.
Ficam então, os momentos mais marcantes.

 Pegar num Coala
É uma experiência breve, porque não deixam o bicho muito tempo no nosso colo, mas é o bastante para nos apaixonarmos por este animal de ternura pachorrenta. É macio, não tresanda o melhor dos aromas, mas isso passa despercebido no momento em que ele se aconchega nas nossas mãos e se agarra com toda a convicção às zonas de maior relevo da nossa zona peitoral.. uns atrevidos irrestíveis!

Koala Moment
Conviver com Cangurus
O Santuário Lone Pine tem uma área vasta, aberta ao público, onde se encontram os Cangurus. Como estão habituados ao convívio humano são dóceis, podemos tocar-lhes e passar o resto da tarde a acariciar o seu pelo macio. O quebra-gelo é mais fácil se trouxermos comida, a loja do parque vende uns saquinhos próprios para o efeito. Simpatizei com este exemplar preguiçoso que se derreteu com as festinhas e lá me deixou sacar umas selfies. Também se observa um vasto leque de comportamentos do quotidiano Canguru..

Kangaroo Selfie CompilationKangoos_LPKoalaSanctuaryConhecer novas espécies
Aqui, também se trava conhecimento com outras espécies autóctones da Austrália. Destaque para o Diabo-da-Tasmânia, o maior carnívoro marsupial no mundo, exclusivo da Tasmânia. São conhecidos por limpadores das florestas: comem as suas presas quase na totalidade, incluindo carne já apodrecida. No entanto, estão em vias de extinção devido ao “cancro facial do diabo-da-tasmânia,” que se caracteriza pelo aparecimento de tumores cancerígenos que se espalham por toda a face.

Tasmanian Devil CompilationApresento também o Wombat, outro marsupial australiano muito ternurento cuja bolsa se localiza nas costas para que possa manter as suas crias limpas e seguras enquanto escava as tocas. Adora dormir de barriga para cima. A comédia, não?

Wombats at Lone Pine Koala SanctuaryPor último, o Emu, a segunda maior ave do mundo, uma avestruz, versão aussie. Esta simpática ave alimenta-se à base de insectos, frutas, sementes, folhas e gramíneas. Embora ponha 6 a 12 ovos por ano, o papel de mãe não é o seu forte. Depois de colocar os ovos, toda a responsabilidade passa para o macho, que choca e cuida das crias.

Emu Compilation

Ficaram com o bichinho de ir à Austrália? Que animais gostaram mais?

Bons voos e até breve!

Maria Bonifácio Lopes

Last week, I returned to Brisbane. I love Aussie cities in general: there are always artists playing guitar on the streets, or saxophone, or expressing their skills in any other artistic way: sketches, paintings, break-dance, etc.

Besides there are the Bagel Bars, where you can stuff your favorite ingredients in the freshest bagel in town; the Sushiro stores with a wide variety of roles ready to bite straight from the box; the Pie Face stores where all kinds of pies are topped with a smiley face. Also, there´s TimTam, the best biscuit to mate along with your daily dose of caffeine, and last but (actually) least, Vegemite, perhaps the most inedible thing I ever tasted. I do apologize to all Vegemite fans but I have no other words to describe the second most famous spreadable paste, after Nutella. It´s just yuki!

Aussie stuffHowever, the best of my stay in Brisbane was a visit to the Lone Pine Koala Sanctuary, a natural park, founded in 1927, where you will find a wide variety of Australian native species and get the chance to interact live with some of them. It is the oldest and largest koala sanctuary in the world. Below are the highlights of this amazing afternoon. WARNING: there will be high levels of cuteness…

Hug a Koala
It´s a brief but just enough experience to fall head over heels for these tender creatures. The park staff helps you place the koala on your lap and gently he gets cozy, with a tendency to hold on to the elevated areas around your chest… naughty koala!

Koala Moment

Feeding Kangaroos
The Lone Pine Koala Sanctuary has a wide area open to public where you can interact with kangaroos. Since these animals are used to “mingle” around humans, they are docile and you can spend the whole afternoon canoodling their fur. The “ice” is easier to break if you bring along food, which you can buy at the park store. I got along famously with the lazy fellow you see in the picture below. He was a bit sleepy, but managed to cooperate in the photo shoot. What a cool kangaroo!

Kangaroo Selfie CompilationKangoos_LPKoalaSanctuary

Get to know new species
Featuring the Tasmanian Devil, the largest carnivorous marsupial in the world. This top Australian predator acts like a forest cleaner once it eats its preys entirely, even half-rotten meat. They are endangered due a fatal disease called Devil Face Tumour Disease, which does not have a cure yet.

Tasmanian Devil CompilationAnother highlight goes to Wombats, the cutest and rarest large marsupials in the world. They have a backward facing pouch, which protects the young from dirt, while the wombat is digging. It also loves to sleep in a very funny way…

Wombats at Lone Pine Koala Sanctuary

Last but not least, the Emu, the second largest bird in the world. A friendly Aussie version of an ostrich. You can feed them also as they share the same area with the kangaroos in the park.

Emu CompilationHope you enjoyed this trip throughout aussie wildlife! What are your favorite aussie animals?

Fly high!

Maria Bonifácio Lopes

9 foods you must try in Taipei, Taiwan

Article published in Matador Network  (www.matadornetwork.com)

1. Daifuku

Also called Mochi, Daifuku is actually a Japanese dessert quite popular in Taiwan. It looks like a big marshmallow, with a much softer texture that melts in your mouth. Outside its made of sticky rice dough and inside you find all kinds of surprisingly delicious fillings: fruits, mainly strawberries, with cream, cake or red bean paste. It’s an Asian version of a Kinder Surprise Egg because, like Forest Gump said about life – you definitely never know what you’re going to get.

Daifuku

  1. Pineapple egg yolk cake

Pineapple cake is one of Taiwan´s signature food. How about adding a salty boiled egg yolk to it? Just delicious! My favorite “sweet and salty” combination ever!

pineapple yolk cake

  1. Bubble Milk Tea

Bubble Milk Tea or Pearl Milk Tea is a Taiwanese drink invented in the 80´s by Lin Hsiu Hui, who owned a tea-stand business. Lin wanted to create a new drinking experience and came up with the idea of adding boiled tapioca starch balls/pearls to the milk tea so people could drink and chew at the same time. He became very rich with this idea, which was copied by other Taiwanese tea-stands until it spread to other countries. Congratulations to Mr. Lin for this innovation on the beverage field – apart from making a delicious combination, the tapioca pearls make the drinking process funnier, you´re always wondering when the next pearl will come up on your straw while your zipping up the milk-tea.

Bubble Milk Tea

  1. Iron Eggs

Iron eggs are a Taiwanese delicatessen, from Tamsui District, New Taipei City. I must say it is a challenging gastronomic experience: that moment you are about to put a chewy black colored egg in your mouth. They are a common street food made of chicken, pigeon or quail eggs cooked and re cooked many times in tea or soy sauce with herbs and spices. They shrink and harden due to the multiple cooking times. In ancient times, these eggs were cooked in horse pee.

iron eggs

  1. Wonton soup

Wonton is a kind of dumpling used in infinite ways on Chinese cuisine, same as the ravioli in Italy. The word itself means, “eating a cloud,” once wontons do look like clouds when floating in the soup. It´s made from thin samples of dough wrapped around meat, shrimp or vegetables filling, then boiled to make the soup. It is broth based and blended with various ingredients: salt, spices, green onions, egg, bits of pork, etc. It makes a quite robust meal yet light on flavor.

Wonton Soup

  1. Radish or onion buns

Along with Wonton soup, radish or onion buns are a must. They are simply buns topped with a crust of sesame seeds, filled with braised onions or radish. Also, they make a fantastic snack.

Onion Radish Buns

  1. Bolo Bread

Bolo Bread is a Taiwanese invention with several versions throughout China and Japan. It is also called Melon or Pineapple bread/bun, not because it has any filling with those fruits but because the crispy and square patterns on the top do make the pastry recall a melon or a pineapple. For me it’s a muffin and a croissant combined together: it has the shape of a big muffin but crunchy on the outside and softly crispy in the inside, just like a croissant. It´s filled with sweet milk.

Bolo bread

  1. Water Chestnuts

Or water caltrop, buffalo nut or bat nut are simply chestnuts with a very peculiar shape, reason why they have so many names. I baptized them as “moustache nuts”, they straight reminded me of a moustache. I glimpsed them on a stand at the Night Market, while they were being steamed, and bought half dozen: I had to try those weird shaped nuts. They are very similar in texture to the chestnuts I´m used to eat in Portugal in wintertime, a little less flavored perhaps. Still they give a nice and healthy snack.

Water Caltrop

  1. Taiwanese Shaved Snow

It´s basically a mixture of ice cream infused with flavors – green tea, mango, vanilla, etc. – frozen into hard cylinder blocks. These cylinders are then “shaved” in a spinning machine. The result is a coral look and a soft flake texture, which is combined with fruits and several toppings. I adventured myself on the Taiwanese flavors and tried green tea with black bean topping and shaved ice with lychee, pineapple and osmatos tea – different but very tasty. Also tried vanilla with mango and vanilla with passion fruit topping. What a delicious rush of flavored cold air in my mouth. Highly recommended!

Shaved Snow
On top: Green tea topped with sweet black beans | Below: Vanilla topped mango and passion fruit
Shaved ice with lychee, osmatos tea and pineapple
Shaved ice with lychee, osmatos tea and pineapple

Special thanks to my friends Danuta and José who made this trip so unforgettable and deliciously amazing! Xièxiè!

Me, Danuta and JoséMaria Bonifácio Lopes

Pedaços de casa pelo mundo..

Este foi a primeira crónica que publiquei no espaço Porta 351, “uma PORTA que comunica com os portuguese espalhados pelo mundo.” A partir do próximo ano este espaço vai albergar mais crónicas minhas sob a rúbrica “Porta-Aviões”, onde para além de divagar sobre as sensações que o mundo me transmite vou também dar-vos a conhecer espaços com rótulo português em terras estrangeiras. Não percam!

Pedaços de casa pelo mundo..

Uma das coisas que adoro no meu trabalho é o facto de poder fazer um “lar” com pedaços do mundo. Há séculos que não aterrava em Casablanca. Embora não seja um destino predileto, acende um certo conforto na minha alma. Apesar da língua diferente da minha, dos costumes diferentes dos meus, das ruas inacabadas de passeios esburacados, da barulheira da maquinaria industrial das obras e do trânsito infernal, há algo inexplicável nesta cidade que me enquadra, apesar do rótulo de forasteira. Mesmo quando mal e porcamente me consigo explicar no meu francês débil, enquanto os Marroquinos tentam acompanhar os raciocínios linguísticos com o seu inglês igualmente catastrófico. Na marginal Atlântica a Grande Mesquita canta na hora de rezar, acompanhada pelo mar que emana suspiros quando se enrola pelo areal. Nos mercados cheira a especiarias, a frutas, vegetais frescos e a azeitonas temperadas com paprica e pickles. Os comerciantes juntam-se em rodas de convívio, fumegando o chá marroquino.

imagePodia ser um qualquer restaurante português, ali na Avenida Luísa Todi ou ali para os lados do cais. A decoração náutica exibia uma coleção de objetos pescatórios e utensílios do mar em concordância com os tons de azul e branco. Havia pão e peixe “grrrrrrelhado” sobre a mesa, uma cerveja para o embalo do trago e um empregado simpático que ao invés de me chamar “menina” chamava “mademoiselle.” O nome do estabelecimento é “Tasca do Golfinho” (em francês “Taverne du Dolphin”). Não é uma casa setubalense, mas poderia lá eu estar em sítio mais Sadino que este?

This was the first chronicle for Porta 351, a Portuguese website which bonds Portuguese abroad. From next year on I will have a dedicated space to keep writing in  this website. I will, not only keep on writing about the places I pass by, but also I will undercover Portuguese spots around the world. I will try to translate majority of things as the Porta 351 is mainly written in Portuguese. Stay tuned!

Pieces of home throughout the world..

One of the things I love about my job is that I can build up a “home” with little pieces of the earth. Haven´t landed in Casablanca for ages. Although it´s not a favorite destination, it lights up some comfort in my soul. Despite the language differences, the different traditions, the noisy heavy machinery of the streets under construction and the massive traffic, there is something in this city that makes me belong somehow. Even when my miserable French and the Moroccan’s catastrophic English don´t quite combine in a successful communication attempt. From the promenade, which offers a terrace within the Atlantic Ocean, the Great Hassan II Mosque chants at prayer time, along with the ripple that whispers by the shore. In the markets, souks, the smell of fresh vegetables, fruits, spices and olives seasoned with paprika and pickles floods the surroundings. The merchants greet each other and gather around the fuming of their cups of Moroccan tea.

imageIt could be any Portuguese restaurant, somewhere in Todi Avenue or in the docks back in Setúbal, a fishermen´s town in Portugal where I am, actually, from. The nautical deco with fishing and sailing utensils, in accordance with the blue and white tones looked just like one of the grilled fish restaurants I used to go every Sunday lunch. There was bread and “grrrrriled” fish over the table, a beer to swing the gulp and a very nice waiter, who called me “mademoiselle” instead of “menina” like I´m used to back home. “The Dolphin Tavern” is the name of the restaurant and dolphins are, in fact, the symbol of Setúbal. They can be seen jumping around Sado River, especially in the summer. Could I have been in a homier place outside my country?

MERY AL BONIFÁCIO

Nice – La sauvergarde du “bronzage au camionneur”

Nice – A salvação do bronze à camionista

O magnífico Mediterrâneo. Ao contrário do verde esmeralda do Atlântico, é azul turquesa claro que escurece à medida que a linha costal se distancia.

Côte d`Azur

A temperatura encontra-se naquele ponto térmico perfeito quando a água da torneira passa de fria, mesmo antes de ficar morna e passar a quente, quando preparamos a água para rituais higiénicos, propício a banhos balneares agradáveis de pouco choque térmico. Um contraste notável quando relembro a experiência “estala-osso” que o Atlântico me habituou nas belas praias do Portinho da Arrábida. Não há areia, mas um vasto manto de seixos de estatura média que dificultam bastante a deslocação pela praia em pé descalço, principalmente para boa gente de equilíbrio desastroso como eu. Não obstante, é óptimo para um “non-cost” foot spa.

Nice é uma versão mais requintada e segura do Rio de Janeiro, com uma arquitectura mais cuidada que, por si só, é uma forte componente de embelezamento da cidade, onde se respira história e boa vida em cada portada ou parapeito de janela.

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NiceÀ semelhança do famoso cenário carioca, a paisagem também é de verdes colinas, de corpos estendidos na praia que fotossintetizam para o bronze, de troncos e membros agradavelmente vistosos e “sarados” que, de quando em vez, desfilam em modo “jogging” ou passo acelerado e pelo aroma de óleo e protetor solar salteado com os salpicos que a maresia traz da tímida ondulação. Também há um “calçadão”, apelidado de “Promenade des Anglais”.

Promenade d`Anglais

Promenade d`Anglais

A história de tal nome remonta ao século XVIII, quando um inverno rigoroso impulsionou o fluxo de imigrantes para Nice. Ora, a bifalhada “anglaisa”, já figura mascote no postal turístico Algarvio pela sua imperceptível predileção pelo bronze cancro tom de lagosta, e que no mesmo século, se havia instalado em Nice para proveito das temperaturas amenas, propôs aos recém-chegados um projeto que, segundo aqueles, era de interesse geral: a construção de um passeio pela costa mediterrânea. Foi do agrado de toda a cidade, claro está, e ainda mais dos compinchas ingleses que, se naquela altura tivessem acessado o famoso vídeo youtubesco viral sobre a importância do protector solar, talvez tivessem retificado os seus rituais balneares, mantendo a vermelhidão da pele restrita às bochechas e à ponta do nariz, sintomas típicos da sua ingestão excessiva de bebidas alcoolicas. É que assim “estragava-se só uma casa”: o sacrificar do fígado é como um simples não.. sempre garantido! Já a pele..

O passeio foi primeiramente denominado como “Caminho dos Ingleses” pelos nativos de Nice. Depois da anexação de Nice a França em 1860, o passeio mudou o nome para “Promenade des Anglais”, que ainda hoje é um nome bastante adequado dado os frequentadores do passeio, que encontram aqui a salvação do célebre “bronze au camionneur” (em português, bronze à camionista), como poderão mirar no exemplo abaixo..

Bronzage au camionneur

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça..”? Not.

Creio que a Mademoiselle Piaf e o Jobim teriam feito um dueto fantástico, caso se tivessem amorosamente encontrado em Nice numa frívola paixão na hbitual quinzena de férias de verão. Um artista e galã romântico de jiga-joga brasileira e uma senhora que vê sempre a vida a cor-de-rosa era para bom vento e bom casamento, entre pautas e claves, debaixo do Sol francês.

Bonjour

Para o não fluente palrador de francês, três palavras são precisas apenas para sobreviver em Nice: boulangerie, patisserie, creperie. Palavras tão deliciosas ao ouvido como para todos os outros sentidos afectados por estes estabelecimentos de motor ao verbo “engorda”.

Ah Nice.. C’est suuper, magnifique!

A Bientout Cherries!!

MERY AL BONIFACIO

Nice – The redneck´s tan salvation

The magnificent Mediterranean. Unlike the emerald green tones of the Atlantic, it´s blue turquoise that darkens as you go further from the shoreline.

Côte d`AzurThe temperature is on that perfect “thermal spot”, when water is prepared for hygienic rituals and the tap goes from cold to warm, right before it gets hot, which provides a pleasant bathing experience. Quite different from the “crack-bone” one which the icy Atlantic got me used to on my hometown beaches. There is no sand but a wide carpet made of medium size pebbles, which makes it difficult to move around the beach barefoot, specially for people with hazardous balance, like me.. Nevertheless, it´s an awesome “non-cost” foot spa.

Nice is a more exquisite and safe version of Rio de Janeiro. The very beautiful and taken care architecture is Nice´s beautification ingredient, you can breathe history and quality of life in every door or window frame.

Nice2NiceJust like Rio, the landscape is built upon green hills, oily corps that stare hours in the sun for tanning purposes, toned homo-sapiens which “catjog” shirtless along the promenade; the sunscreen aroma sauteed within sea breeze splashes from the humble ripple.  There is also a “paredão” named “Promenade des Anglais”, where all the Riviera good summer times role.

Promenade d`AnglaisPromenade d`AnglaisHistory goes back on the 18th century, when a harsh winter encouraged immigrants to Nice. The fellow “Anglais” were already established there enjoying warm temperatures and working hard for their tan. They proposed the “new-joiners” a project which would benefit everyone: the construction of a boardwalk throughout the Mediterranean coast. Everyone cheered the idea, specially the Brittish who found on the boardwalk the perfect spot to crisp up a bit their skin, up to their usual orange/reddish tone. Reason why we cutely nicknamed  them “lobsters” in Portugal, specially on the region of Algarve in the south where British are usually spotted on vacation. If, back in those days, they ever had access the viral youtube video regarding the importance of sunscreen, they wouldn´t have turn that skin tone into a trendy habit.

The promenade was first named “The Path of the English” by the natives of Nice. It changed to “Promenade des Anglais” after Nice´s annexation to France in 1860, which still is a quite suitable name due to the promenade´s users, which find there the salvation for that “redneck” tan as we can see on the picture below..

Bronzage au camionneurIn portugal, “red neck tan” is called “the truck driver tan”, once truck drivers wear tank tops, tanning only the arms, neck and face: “Tank and tan and young and reddish.. the boys from the promenade go walking..” not quite so lovely as the “Girl of Ipanema” perhaps.. Lady Piaf would have most likely seen a “vie en orange” in Nice. I do think destiny should have set Mademoiselle Piaf and Tom Jobim (the brazilian singer of “Girl of Ipanema”) into a “first sight summer love”. What a fantastic duet under the Frech Riviera sun – a brazilian heartthrob and a lady who sees life in color pink would easily turn black beans* and croissants into a “all times” musical hit. 

BonjourFor the non-fluent french speaker, three words are enough to survive in Nice: boulangerie, patisserie, creperie. Words as nice to your ears as for all other senses affected by these greety places which are totally boosters for the verb “to get fat”.

Ah Nice.. C´est supér, magnifique..!

À bientôut cherries!!

MERY AL BONIFÁCIO

*Black beans are very famous in Brazil´s cuisine; quite used in several dishes as well as a side dish on brazilian barbecues and other meals.

” I sing so I won´t cry..” Palawan, Part III

“Canto para não chorar..”

O karaoke. Essa caixinha digital de música capaz de concretizar o sonho de pertencer às luzes da ribalta a qualquer um – afinal não é só no banho e no carro que até tenho jeito para a coisa. De origens nipónicas, a palavra karaoke significa cantarolar sem banda ou orquestra. Resulta da junção de “kara”, que significa “vazio” em japonês, e “oke”, que advém de “okesutora”, que por sua vez significa “orquestra” – “orquestra vazia” ou “ sem orquestra ou banda”.

Pensava eu que impunha já uma boa dose de um “fanatismo saudável” pelo mecanismo até descobrir que este é o passatempo preferido dos Filipinos. Até a remota vilazinha de Langogan, no proctal de Judas em Palawan, não escapou à febre e exibia um exemplar carismático no único bar das redondezas: uma espécie de consola de arcada género “flippers” com uma Panasonic de antiquário em cima e, cereja no topo da mesma, um napronzito de renda felpudo que dava todo um ar de casa de avó portuguesa.

Karaoke Palawan

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Fomos uma noite arrastadas pelo staff do Mangorve Resort para um duelo de microfones. Finalmente ia pôr em prática anos de concertos a solo no chuveiro. As músicas apresentavam-se num molho de folhas sujas e amareladas pelo tempo e pelo entornar de cervejas. Algumas, escritas à mão, pareciam manuscritos hieróglifos, requerendo um manuseamento cuidado para não se desfazerem.

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Coloca-se uma moeda, digita-se o código da música pretendida e voilá.. é só “chamar a música” e acompanhar a letra. Especial atenção para o pano de fundo do ecrã onde passavam os “lyrics” – um ramalhete fotográfico de modelos bombocas dos anos 80/90, que desfilavam em bikinis mais cavados que a falésia do Cabo Espichel. Vislumbrei a Cindy Crawford e a Laetitia Casta bamboleando seus pandeiros entre os pixels, desconcentrando em massa a frente masculina de cantores filipinos, que atrapalhada tentava incutir “seriedade” ao “microfone”..

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Descobri rapidamente que não nasci para a música, mal a primeira Filipina pegou no microfone. Outras duas se seguiram, de cordas vocais harmoniosas de fazer qualquer “conchita” depenar a barba. O instrumento foi de mão em mão, atraindo locais que se juntaram, curiosos pela algazarra e por uma onda de apoio moral às “branquelas forasteiras” de voz de cana rachada, que “tentavam” cantar.

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Reparei que têm especial gosto por músicas de teor melodramático elevadas a um exponente máximo de lamechice. Inquiri a Mae (para quem não se lembra a minha primeira flatmate no Dubai, Filipina de gema) acerca deste favoritismo por músicas de fazer o amor devagarinho..

Tal como o português sofreu influência da telenovela brasileira, também o filipino foi pragueado com telenovela espanhola, resíduos do domínio “spaniardo”. Se levar com duas telenovelas da tvi danifica a massa cinzenta, imagine-se o que é levar com telenovela espanhola do meio-dia às oito, horário nobre destas nas Filipinas. Ao pé disto, as tardes da Júlia até têm um travozito a programa cultural.

Assim, a “desperate housewife” filipina papa todos os melodramas amorosos entre as tarefas domésticas absorvendo a tragédia, a faca e o alguidar também. Sofrem por tabela os amores e desamores das personagens preferidas, sonhando lucidamente com aquele encontro ao virar da esquina que irá mudar a vida para sempre. Daí idolatrarem músicas para todos os tipos de amor – correspondidos, não correspondidos, trágicos, à distância, de cortar os pulsos, etc.

Entre a panóplia de músicas cantadas aqui ficam algumas..

• Aquele clássico..  “Olho do Tigre”..

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• “.. e se Deus nosso senhor Jesus Cristo fosse um estranho como nós no autocarro a fazer o caminho para a casa..” – viva os anos 90 para sempre!!

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• “Mãezinha.. a vida apenas começou, mas eu tenho que dar de frosques..” O Freddy nunca será esquecido!

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• “Nós vamos ficar juntos, todo o dia e toda a noite.. com a lua sobre a fronha e a partilhar o mesmo alojamento!” O Bob, sempre imortal!

SAM_3458 • “.. e arrisca, arrisca..!” – Kelly Clarkson sempre com mensagens positivas para a malta!

SAM_3465 • Sim.. “beija-me, beija-me imenso como se fosse a última vez..” – também passamos por clássicos espanhóis!

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• Creio que esta música está sempre presente quando o assunto é cantar..

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• As músicas de “fazer o amor devagarinho” entoadas pelas nossas amigas do resort..

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Contudo, esta “entrega” emocional aos melodramas televisivos é apenas um escape à realidade dura nas Filipinas, uma nação de pobreza persistente dependente da troca de perdas emocionais por ganhos materiais, onde famílias se desmembram pelo mundo em prol de transferências bancárias capazes de subsistir aqueles que ficaram para trás. Esta “exportação” de pais, maridos, irmãos tornou-se assim uma fonte lucrativa, onde os exportados são muitas vezes submetidos a condições precárias pelos seus empregadores e o seu retorno por uns dias de férias, uma vez em dois anos, significa um corte na fonte de subsistência enquanto se tentam matar as saudades, que mais sabem a prejuízo.

Se quem canta seus males espanta.. talvez nas Filipinas há mesmo quem cante para não chorar.. de dor, de saudade, de esperança por aquele final feliz que teima em não sair do ecrã..!

Inshallah habibis

Mery Al Bonifácio

“I sing so I won´t cry..”

The Karaoke, that magical digital box able to accomplish everyone´s X-Factor dream: “Wow! Beyond the shower and the car, I do have a voice!” Originally from Japan, the word karaoke literally means “empty orchestra”- singing without band or orchestra (“kara”= empty; “oke” = “okesutora”, which means orchestra in japanese.)

I thought I was fanatic enough about karaoke, until I found out it´s the Philippines favorite hobby, with a remarkable spread of karaoke machines everywhere. Even Langogan, the remote little village in “Judas Ass”* of Palawan, had a quite peculiar one. It looked like an old arcade flippers machine, topped with an extremely old Panasonic television, decorated with a fuzzy apron, the ones grannies LOVE to spread around their houses.

Karaoke Palawan

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One night, we were challenged to join the Mangrove Resort staff for a microphone duel at the village bar, the only nightlife spot on the surroundings. I was excited, finally the chance for my vocal chords shine after so many years of solo concerts in the shower. The playlists were old and dirty, some of them written by hand required a careful maneuver, as they look archaeologic manuscripts.

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Put a coin, dial the code and voilá.. “please don´t stop the music..”! Special attention for the TV´s background while the lyrics passed – photoshoots of bombshell models from the 80 and 90´s. Cindy Crawford and Laetitia Casta were there also, posing along the pixels with quite low-cut excavated bikinis, a major distraction for the male filipino singers, who tried their best to keep up the “microphone” with a “professional posture”..

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I soon realized that music isn´t my thing when the first Filipino competitor introduced her voice on the microphone. Other two sang harmoniously, able to draw Conchita Wurst´s beard. Locals approached the bar, curious about such “racket” and kindly encouraged us on our “quality” performances. I shall thank them for the remarkable moral support!

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I noticed they are addicted to love melodramatic, a bit cheesy songs. I asked Mae (my  first flatmate in Dubai) about this interesting cultural fact. According to her, apart from karaoke, Filipinos love spanish TV series, the so called “telenovelas”. Among their domestic shores, filipino “desperate housewives” follow all of them religiously from 12 to 8pm. They get emotionally grabbed to the love stories on the screen, suffering with the characters their misfortunes, daydreaming about that romantic encounter around the corner able to change their lives forever. Therefore, they adore songs for all types of love relationships – tragic, dramatic, long distance, platonic, etc.

Here are a few songs we “tried” to sing on the karaoke:

• “Eye of the Tiger” – that classic full of empowerment!

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• “.. just a stranger on the bus, trying to make his way home..” – Aw the 90´s.. probably the best, yet the most dramatic period on music history.. Kurt Cobain died, Justin Bieber was born..!

Joan Osborne - One of Us

Joan Osborne - One of Us

• Freddy shall never be forgotten..!

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• Bob, the immortal..

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• Clarkson always with positive messages..!

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• Gallagher Bros always in the house..

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• We sang in Spanish as well..!

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• Few love melodramatic cheesy songs sang by our filipino mates..

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• For a glorious closure, a mix between english and tagalog. I don´t know what´s the real meaning on the Philippines, but in english and even in portuguese when you translate it, sounds a bit “booty callish”: “Make a call and grab my birdie..????” – Well..

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Countries with persistent poverty, such as Philippines, face nowadays a quite unfair trade, which has become one of the most important sources of income – “emotional loss for material goods”. Every Filipino family has at least one relative – a husband, a sister, a father – living abroad, most certainly in precarious conditions, working long-lasting hours to guarantee monthly transfers for the family. It´s easy to understand why Filipinos are so emotionally attached to “telenovelas” or long lasting love songs – a husband or wife; boyfriend or girlfriend; a sister, brother, mother or father might be away. The return is uncertain, holidays might happen once in two years. If reality presents itself with such tuff welcoming card, it doesn´t cost to daydream along towards a happily ever after ending.

Evaldo Braga, a Brazilian singer, says in his lyrics “I sing so I won´t cry.” In the Philippines I do believe people sing not only to stop tears, but for hope, to ease the pain and the hole left by long-distance, to call up that happy closure that doesn´t come out and insists to remain on the TV screen.

Inshallah habibis!

Mery Al Bonifácio

* “Judas Ass” – portuguese slang expression to mention a place which is really far or in a very remote area.

 

 

 

 

 

En route to Palawan, Philippines – Part II

“Hello MamSir..”

Estão a ver o cu de Judas? Nada a ver. Langogan é uma vilazinha remota no litoral de Palawan a duas horas de autocarro da capital, Puerto Princesa. Quando saí do transporte colectivo com a Maro, uma das minhas companheiras de viagem, senti-me um alien: dezenas de olhos exerceram uma pressão turístico/cultural para tentar perceber que seres éramos. Disse-lhes que éramos todos do mesmo planeta através do disparo aleatório de sorrisos e saudações, enquanto o seu olhar intrigado “scanava” o nosso tom de pele, olhos e cabelo, que contrastavam com os traços morenos e rasgados da fisionomia Filipina.

Assomei ao portão de cana, cujo letreiro indicava a entrada – Mangrove Resort. Pensei estar dentro do cenário telenoveleiro que fez as delícias da minha infância e aprumou para sempre o meu sotaque sertanejo: a telenovela Pantanal. Além de toda a envolvente selvagicamente verde, os simpáticos bungalows eram uma versão mais “modesto/luxuosa” da cabana de Juma Marruá. Só faltou ter visto uma Filipina virar onça, mas isso já era de mais para um dia só, ô xentii..!

Pantanal

A cozinha era uma cabanita de aspecto mais frágil que a casota de palha dos 3 animaizinhos suínos. Tudo ali era cozinhado num fogão a lenha.Mangrove Resort - Kitchen

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Galinhas, gatos e cães partilhavam o mesmo espaço de recreio em harmonia sócio/animal, sem mostras de apetite ou de bullying para com a classe aviária, ou quaisquer rivalidades hierárquicas. Havia um jardim imenso e um pequeno deck de acesso ao rio que, em ambas as margens, abundava em pinceladas verdejantes, numa tela clorifílica de Monet.

Mangrove Resort

Só o rio suspirava, só os pássaros cantavam e uma canoa na margem convidava-me a descer o rio. “Depois do rio o que é que vem?” – já perguntava a Pocahontas, essa indígena louca por laurear a pevide ao vento, que preferiu a virgindade pantanalisíaca da sua terriola ao amor e umas assoalhadas londrinas prometidas por um bife marinheiro baleado. Depois do chamamento à natureza que vi em Palawan e nos dias que correm, não a condeno.

Ali, juntámo-nos à Sofia, que havia chegado no dia anterior e já tinha feito as honras ao local. Fizemos também as honras ao seu “guarda-roupa mochileiro” quando ela sugeriu a cedência temporária das suas vestes para nos desenrascar naqueles dias. Um bem haja!

River

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“Dinner is ready mamsiiirrr”. Adoro esta referência formal e simultânea de géneros que os Filipinos usam. Seja um “Sir” ou uma “Madame” cumprimentam duplamente desta forma: “Goodevening mamsirrrr!!”, “Hello mamsiiir”, “How are you mamsiiiirr?” Quando inquiri a Mae sobre este curioso facto, ela explicou que o adaptaram durante a era “Yankee” nas Filipinas, que começou em 1898, altura em que terminou o domínio de “nuestros hermanos” naquele país. Os dois géneros são usados conjuntamente porque lhes facilita a vida, evitando repetições quando abordam um casal, poupando diálogo. Também ajuda a evitar situações embaraçosas na determinação do género alheio, dada a crescente adesão ao fenómeno “ladyboy” nas Filipinas. Começaram também os conceituados “beauty pagens” para lésbicas, por outras palavras concursos para eleger a “Miss Lesbiana”. Vi um destes programas com uma trupe de Filipinas amorosas que trabalha no meu posto habitual para o abastecimento de cafeína no Dubai. Garanto aos mais cépticos que, apesar de todas as senhoras serem portadoras do sexo reprodutor feminino, é mesmo difícil identificá-las como tal. O concurso chama-se “That´s my Tomboy” e deixo em baixo um “best of” do mesmo – esqueçam lá as metamorfoses ambulantes do “MamSir” Castelo Branco. Aliás, atentos ao minuto 0:51.. vêm alguns traços familiares relativamente ao espécime apresentador do meio que segura o microfone..?

 

Fazia tempo que não fazia bolos alimentares tão saborosos. Desde o guisado de porco, à sopa de papaya com gengibre e cebolinho; peixe agridoce ou com molho pesto caseiro e legumes da horta a acompanhar. A sobremesa foi quase sempre fruta, com a introdução de um novo fruto às minhas pupilas gustativas – a Maçã Estrela. A sua pele robusta não permite que se coma à dentada como uma maçã normal. De cor roxa no interior, tem uma estrela visível ao centro quando se corta ao meio. É muito deliciosa e sumarenta, rica em fibras e minerais e as suas folhas ajudam no tratamento da diabetes.

Photo by Maria Bonifácio Lopes
Papaya Soup with Ginger and Spring Onions
Photo by Maria Bonifácio Lopes
Sweet and Sour Fish with Organic Spinach
by Maria Bonifácio Lopes
Homemade Pesto with Organic Oregano and Cream!
Photo by Maria Bonifácio Lopes
Homemade Pinacoladas with Fresh Coconut!
Photo by Maria Bonifácio Lopes
Star Apple

No entanto, não me apanham a comer Balot, uma famosa delicatessen Filipina ou Tamilock, a especialidade de Palawan. Balot é um ovo de pato, que em gestação quase completa é fervido para posterior deglutição. Ou seja, quando se parte a casca, o “brinde kinder” é um bébé aviário pronto a nascer que, “tecnicotragicamente”, nunca vai ver a luz do dia e vai ser unicamente confortado pelas velosidades da parede estomacal humana, quando já não tiver sentidos que lhe façam jus ao termo vida. É vendido como “streetfood” por uns míseros pesos Filipinos. As fotos que se seguem não são da minha autoria e potenciam o ferimento de susceptibilidades. Cautela!!

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Tamilock é uma larva que se encontra dentro dos troncos das àrvores de Mangue. É semelhante a uma ostra na textura, sendo apelidada de Ostra Tropical. Contudo, não tem um aspecto nada tropical e apetecível quando colocada com outros semelhantes num prato, naquilo que mais parece uns “noddles” lombriguentos e viscosos. Antes de os deitar pela goela abaixo, demolha-se primeiro num recepiente à parte que contém vinagre, calamensi, alho e pimentos. Mesmo assim, a coisa não melhora.

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“Não há multibanco em toda a zona norte de Palawan. Também não se efectuam pagamentos com cartão de crédito (…)” – informou Claude, o manager de Mangrove Resort, num e-mail enviado após ter efetuado a reserva – “Este resort é ideal para explorar Palawan. Se procura praia, bronze, ar condicionado, festas e discotecas, esqueça-nos. Compras? Não existem lojas de roupa. Mangrove resort é para quem quer explorar a vertente natural e intocável de Palawan.” O “cu da Judas”, portanto. Mas, era mesmo isso que o meu corpo e alma pediam, um sítio para desconecção total do urbano, do industrial e do moderno. Desta forma, passeios de bicicleta, trekking, praias selvagens e cascatas no meio da floresta foram a terapia deste êxodo urbano asiático.

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Houve outra coisa que fez as minhas delícias nestes dias, que não descreverei agora por motivos de criação de suspense e de promoção do bicho carpinteiro na curiosidade do caríssimo leitor.

Despeço-me assim com amizade e um simples “Até Jáááá..!” à Jorge Gabriel.

Al Hamdellah Habibis!

MERY AL BONIFACIO

“Hello MamSir..”

I will name Langogan as Never Land, as I thought I was never going to reach the place. From Palawan´s capital, Puerto Princesa, it´s a two hour and a half long and turbulent drive. The bus stops every two seconds and the under construction roads made it more turbulent than an aircraft crossing Jakarta. “Wow… I´m an alien, I´m a little alien…” – I recalled Sting´s lyrics the minute I stepped outside the bus. Locals were curiously scanning my western features, totally different from their black hair, caramel skin and torn eyes. I told them we were from the same planet by smiling randomly to everyone, everywhere I passed. As they smiled back, I knew they understood my efforts on breaking that “cultural ice” – “ ´cause smiling it´s something, everybody, everywhere does in the same language”.

Mangrove Resort. When I opened the gate I thought I was inside the TV series scenario that delighted my childhood years – a brazilian “telenovela” named Pantanal, filmed deep inside the Amazon forest. In this case, I was inside a forest too, however only the country changed.. the variety of untouched and wild green species looked quite the same I had seen years ago on the TV.

Pantanal

There were five bedrooms and two modest and comfy bungalows. The outdoor kitchen was a little shack, where all the food was cooked under a wooden burning stove.

Mangrove Resort - Kitchen

Mangrove Resort - Kitchen

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Chickens, cats and dogs co-existed harmoniously on the same “socio-animal” space, with no signs of appetite or bullying towards the chickens or any kind of hierarchy rivalries between each other.

Mangrove Resort

There was an immense garden and a small deck which accessed the river, rich on a variety of green tons on both riversides, kinda like a “chlorophylic” canvas from Monet. The river whispered, the birds sang and a little canoe on the bank invited me to slide it down. “You can´t step in the same river twice, the water´s always changing, always flowing.. to be safe, we lose our chance of ever knowing.. What´s around the riverbend..? – sang Pocahontas, that crazy native who refused to abandon her virgin home-forest for some humble condo in London, promised by a shotted english sailor man. After the “nature-cal” l I saw in Palawan, I don´t blame her! Let her be on “LaLa” Land, painting with all the colors of the wind.

River

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Down the River

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“Dinner is ready MamSir!!”. I must say I love this double formal gender reference that Philippinos use. Wether it´s a “Sir” or a “Madame”, they always double greet like this: “Hello MamSir!”, “Goodevening MamSir!”, “How are you MamSir??”. When I asked Mae about this curious cultural fact, she said it was something adopted from the “Yankee” Era on the Philippines, which started in 1988, when the Spanish left the country. Both genders are combined to make their lives easier, saving dialogue and avoiding repetitions when approaching a couple – “Hello MamSiiiir!”. It also helps to avoid embarrassing situations on the gender identification, once the “ladyboy” phenomenon has increased in the Philippines. Lesbian beauty pageants are the latest addiction on the Philippino TV – the Lesbian Beauty Pageant “That´s my Tomboy”. I saw this contest on my usual coffee spot in Dubai, along with a group of lovely Philippinos who work there. I must say I was quite impress with those lady´s efforts to look like men. If I didn´t knew they were carrying a vagina, I would never say they do so.

I haven´t done such tasty bolus in ages. From the pork stew, papaya and ginger soup with spring onions; sweet and sour fish or with homemade pesto and all organic vegetables as a side dish. Dessert was mainly fruits, introducing a new fruit to my taste buds – Star Apple. It has a tough skin, reason why it cannot be eaten by hand like a regular apple. It´s purple on the inside and has a star in the middle, seen when cut in half. It´s juicy and delicious, rich in fibers and minerals and it´s leaves help treating diabetes.

Photo by Maria Bonifácio Lopes
Papaya Soup with Ginger and Spring Onions
Photo by Maria Bonifácio Lopes
Sweet and Sour Fish with Organic Spinach
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Homemade pesto sauce with organic oregano and cream! Delicious!!
Photo by Maria Bonifácio Lopes
Homemade Pinacoladas with fresh coconut!
Photo by Maria Bonifácio Lopes
Star Apple

Although one should never say never, I risk to say there are two things from the Philippino cuisine I will NEVER put on my mouth. One of them is Balot, a very famous Philippino delicatessen and the other one is Tamilock, Palawan´s specialty. Balot is a duck egg almost in complete gestation, which is boiled to be swallowed. When the shell is broken, the “kinder surprise” it´s a little baby bird, deadly ready to be born. It´s sold as a streetfood for few Philippino pesos.

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Tamilock is a worm which can be found inside Mangrove trees. It´s similar to a oyster in it´s texture, reason why is called “tropical oyster”. However, it doesn´t look tropical at all when putted together with other tamilocks, in a kind of viscous and chewy noodles. It is soaked first in a bowl with vinegar, calamansi, garlic and peppers, Still, it doesn´t look better.

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“There´s no ATM on Palawan´s north area. No payments throughout credit card (…)” – said Claude, the Mangrove Resort manager, on a post-booking e-mail. “This resort is for those who want to explore Palawan. If you´re looking for beach, get tanned, air co, clubbing and discos, forget about us. Shopping? There are no fashion shops.” In Portugal, when something is quite far or in a vey remote area we say – “that´s in Judas Ass”. And so we were.. in “Judas Ass!”. However, that´s all my soul and body were in need of. A place to totally disconnect from the industrial and modern. Therefore biking, trekking, wild beaches and waterfalls were the main therapy of this countryside exodus.

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There was another thing that delighted my days, which I will not mention in this post for curiosity purposes.. you will have to wait for the next chapter habibis! Therefore..

Al Hamdellah Habibis!

MERY AL BONIFACIO