Pedaços de casa pelo mundo..

Este foi a primeira crónica que publiquei no espaço Porta 351, “uma PORTA que comunica com os portuguese espalhados pelo mundo.” A partir do próximo ano este espaço vai albergar mais crónicas minhas sob a rúbrica “Porta-Aviões”, onde para além de divagar sobre as sensações que o mundo me transmite vou também dar-vos a conhecer espaços com rótulo português em terras estrangeiras. Não percam!

Pedaços de casa pelo mundo..

Uma das coisas que adoro no meu trabalho é o facto de poder fazer um “lar” com pedaços do mundo. Há séculos que não aterrava em Casablanca. Embora não seja um destino predileto, acende um certo conforto na minha alma. Apesar da língua diferente da minha, dos costumes diferentes dos meus, das ruas inacabadas de passeios esburacados, da barulheira da maquinaria industrial das obras e do trânsito infernal, há algo inexplicável nesta cidade que me enquadra, apesar do rótulo de forasteira. Mesmo quando mal e porcamente me consigo explicar no meu francês débil, enquanto os Marroquinos tentam acompanhar os raciocínios linguísticos com o seu inglês igualmente catastrófico. Na marginal Atlântica a Grande Mesquita canta na hora de rezar, acompanhada pelo mar que emana suspiros quando se enrola pelo areal. Nos mercados cheira a especiarias, a frutas, vegetais frescos e a azeitonas temperadas com paprica e pickles. Os comerciantes juntam-se em rodas de convívio, fumegando o chá marroquino.

imagePodia ser um qualquer restaurante português, ali na Avenida Luísa Todi ou ali para os lados do cais. A decoração náutica exibia uma coleção de objetos pescatórios e utensílios do mar em concordância com os tons de azul e branco. Havia pão e peixe “grrrrrrelhado” sobre a mesa, uma cerveja para o embalo do trago e um empregado simpático que ao invés de me chamar “menina” chamava “mademoiselle.” O nome do estabelecimento é “Tasca do Golfinho” (em francês “Taverne du Dolphin”). Não é uma casa setubalense, mas poderia lá eu estar em sítio mais Sadino que este?

This was the first chronicle for Porta 351, a Portuguese website which bonds Portuguese abroad. From next year on I will have a dedicated space to keep writing in  this website. I will, not only keep on writing about the places I pass by, but also I will undercover Portuguese spots around the world. I will try to translate majority of things as the Porta 351 is mainly written in Portuguese. Stay tuned!

Pieces of home throughout the world..

One of the things I love about my job is that I can build up a “home” with little pieces of the earth. Haven´t landed in Casablanca for ages. Although it´s not a favorite destination, it lights up some comfort in my soul. Despite the language differences, the different traditions, the noisy heavy machinery of the streets under construction and the massive traffic, there is something in this city that makes me belong somehow. Even when my miserable French and the Moroccan’s catastrophic English don´t quite combine in a successful communication attempt. From the promenade, which offers a terrace within the Atlantic Ocean, the Great Hassan II Mosque chants at prayer time, along with the ripple that whispers by the shore. In the markets, souks, the smell of fresh vegetables, fruits, spices and olives seasoned with paprika and pickles floods the surroundings. The merchants greet each other and gather around the fuming of their cups of Moroccan tea.

imageIt could be any Portuguese restaurant, somewhere in Todi Avenue or in the docks back in Setúbal, a fishermen´s town in Portugal where I am, actually, from. The nautical deco with fishing and sailing utensils, in accordance with the blue and white tones looked just like one of the grilled fish restaurants I used to go every Sunday lunch. There was bread and “grrrrriled” fish over the table, a beer to swing the gulp and a very nice waiter, who called me “mademoiselle” instead of “menina” like I´m used to back home. “The Dolphin Tavern” is the name of the restaurant and dolphins are, in fact, the symbol of Setúbal. They can be seen jumping around Sado River, especially in the summer. Could I have been in a homier place outside my country?

MERY AL BONIFÁCIO

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