Nice – La sauvergarde du “bronzage au camionneur”

Nice – A salvação do bronze à camionista

O magnífico Mediterrâneo. Ao contrário do verde esmeralda do Atlântico, é azul turquesa claro que escurece à medida que a linha costal se distancia.

Côte d`Azur

A temperatura encontra-se naquele ponto térmico perfeito quando a água da torneira passa de fria, mesmo antes de ficar morna e passar a quente, quando preparamos a água para rituais higiénicos, propício a banhos balneares agradáveis de pouco choque térmico. Um contraste notável quando relembro a experiência “estala-osso” que o Atlântico me habituou nas belas praias do Portinho da Arrábida. Não há areia, mas um vasto manto de seixos de estatura média que dificultam bastante a deslocação pela praia em pé descalço, principalmente para boa gente de equilíbrio desastroso como eu. Não obstante, é óptimo para um “non-cost” foot spa.

Nice é uma versão mais requintada e segura do Rio de Janeiro, com uma arquitectura mais cuidada que, por si só, é uma forte componente de embelezamento da cidade, onde se respira história e boa vida em cada portada ou parapeito de janela.

Nice2

NiceÀ semelhança do famoso cenário carioca, a paisagem também é de verdes colinas, de corpos estendidos na praia que fotossintetizam para o bronze, de troncos e membros agradavelmente vistosos e “sarados” que, de quando em vez, desfilam em modo “jogging” ou passo acelerado e pelo aroma de óleo e protetor solar salteado com os salpicos que a maresia traz da tímida ondulação. Também há um “calçadão”, apelidado de “Promenade des Anglais”.

Promenade d`Anglais

Promenade d`Anglais

A história de tal nome remonta ao século XVIII, quando um inverno rigoroso impulsionou o fluxo de imigrantes para Nice. Ora, a bifalhada “anglaisa”, já figura mascote no postal turístico Algarvio pela sua imperceptível predileção pelo bronze cancro tom de lagosta, e que no mesmo século, se havia instalado em Nice para proveito das temperaturas amenas, propôs aos recém-chegados um projeto que, segundo aqueles, era de interesse geral: a construção de um passeio pela costa mediterrânea. Foi do agrado de toda a cidade, claro está, e ainda mais dos compinchas ingleses que, se naquela altura tivessem acessado o famoso vídeo youtubesco viral sobre a importância do protector solar, talvez tivessem retificado os seus rituais balneares, mantendo a vermelhidão da pele restrita às bochechas e à ponta do nariz, sintomas típicos da sua ingestão excessiva de bebidas alcoolicas. É que assim “estragava-se só uma casa”: o sacrificar do fígado é como um simples não.. sempre garantido! Já a pele..

O passeio foi primeiramente denominado como “Caminho dos Ingleses” pelos nativos de Nice. Depois da anexação de Nice a França em 1860, o passeio mudou o nome para “Promenade des Anglais”, que ainda hoje é um nome bastante adequado dado os frequentadores do passeio, que encontram aqui a salvação do célebre “bronze au camionneur” (em português, bronze à camionista), como poderão mirar no exemplo abaixo..

Bronzage au camionneur

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça..”? Not.

Creio que a Mademoiselle Piaf e o Jobim teriam feito um dueto fantástico, caso se tivessem amorosamente encontrado em Nice numa frívola paixão na hbitual quinzena de férias de verão. Um artista e galã romântico de jiga-joga brasileira e uma senhora que vê sempre a vida a cor-de-rosa era para bom vento e bom casamento, entre pautas e claves, debaixo do Sol francês.

Bonjour

Para o não fluente palrador de francês, três palavras são precisas apenas para sobreviver em Nice: boulangerie, patisserie, creperie. Palavras tão deliciosas ao ouvido como para todos os outros sentidos afectados por estes estabelecimentos de motor ao verbo “engorda”.

Ah Nice.. C’est suuper, magnifique!

A Bientout Cherries!!

MERY AL BONIFACIO

Nice – The redneck´s tan salvation

The magnificent Mediterranean. Unlike the emerald green tones of the Atlantic, it´s blue turquoise that darkens as you go further from the shoreline.

Côte d`AzurThe temperature is on that perfect “thermal spot”, when water is prepared for hygienic rituals and the tap goes from cold to warm, right before it gets hot, which provides a pleasant bathing experience. Quite different from the “crack-bone” one which the icy Atlantic got me used to on my hometown beaches. There is no sand but a wide carpet made of medium size pebbles, which makes it difficult to move around the beach barefoot, specially for people with hazardous balance, like me.. Nevertheless, it´s an awesome “non-cost” foot spa.

Nice is a more exquisite and safe version of Rio de Janeiro. The very beautiful and taken care architecture is Nice´s beautification ingredient, you can breathe history and quality of life in every door or window frame.

Nice2NiceJust like Rio, the landscape is built upon green hills, oily corps that stare hours in the sun for tanning purposes, toned homo-sapiens which “catjog” shirtless along the promenade; the sunscreen aroma sauteed within sea breeze splashes from the humble ripple.  There is also a “paredão” named “Promenade des Anglais”, where all the Riviera good summer times role.

Promenade d`AnglaisPromenade d`AnglaisHistory goes back on the 18th century, when a harsh winter encouraged immigrants to Nice. The fellow “Anglais” were already established there enjoying warm temperatures and working hard for their tan. They proposed the “new-joiners” a project which would benefit everyone: the construction of a boardwalk throughout the Mediterranean coast. Everyone cheered the idea, specially the Brittish who found on the boardwalk the perfect spot to crisp up a bit their skin, up to their usual orange/reddish tone. Reason why we cutely nicknamed  them “lobsters” in Portugal, specially on the region of Algarve in the south where British are usually spotted on vacation. If, back in those days, they ever had access the viral youtube video regarding the importance of sunscreen, they wouldn´t have turn that skin tone into a trendy habit.

The promenade was first named “The Path of the English” by the natives of Nice. It changed to “Promenade des Anglais” after Nice´s annexation to France in 1860, which still is a quite suitable name due to the promenade´s users, which find there the salvation for that “redneck” tan as we can see on the picture below..

Bronzage au camionneurIn portugal, “red neck tan” is called “the truck driver tan”, once truck drivers wear tank tops, tanning only the arms, neck and face: “Tank and tan and young and reddish.. the boys from the promenade go walking..” not quite so lovely as the “Girl of Ipanema” perhaps.. Lady Piaf would have most likely seen a “vie en orange” in Nice. I do think destiny should have set Mademoiselle Piaf and Tom Jobim (the brazilian singer of “Girl of Ipanema”) into a “first sight summer love”. What a fantastic duet under the Frech Riviera sun – a brazilian heartthrob and a lady who sees life in color pink would easily turn black beans* and croissants into a “all times” musical hit. 

BonjourFor the non-fluent french speaker, three words are enough to survive in Nice: boulangerie, patisserie, creperie. Words as nice to your ears as for all other senses affected by these greety places which are totally boosters for the verb “to get fat”.

Ah Nice.. C´est supér, magnifique..!

À bientôut cherries!!

MERY AL BONIFÁCIO

*Black beans are very famous in Brazil´s cuisine; quite used in several dishes as well as a side dish on brazilian barbecues and other meals.

8 thoughts on “Nice – La sauvergarde du “bronzage au camionneur”

  1. Gosto muito de tu blog! Faz tempo q eu nao practico o portugues assim q gosto q vc escreve no ingles tambem. Sorry if that was hopelessly terrible Portuguese. I figured I’d give it a shot. Love that you have a bilingual blog- what a neat idea! (coming from Matador U)

    1. Olá Gretcholl! Really glad you liked the blog! and for someone who doesn´t practice portuguese in a while I must say it was a really good shot! 😉 If you need any help on your practice let me know! As for the bilingual-blog I keep saying myself that I would spare some time if writing only in english.. thing is.. I can´t help writing in portuguese as well, if I don´t it feels like there´s some part of me missing on the post! 😉
      Cheers and thank you for passing by!

      Maria Lopes

  2. Bem escrita, airosa e divertida a denotar boa disposição da autora (embora o lindo palminho de cara que me foi dado observar no skype, no Sábado, não a traduzisse). À laia do “bronze au camionneur” e atento o elevado nível cronista diria que “vous êtes ici, vous êtes journaliste”, ou seja, estás aqui, estás a ser jornalista.
    Bijões com muito orgulho na filhota, amor e saudades.
    Papi
    (3.ª tentativa)

  3. Esta tua crónica fez-me lembrar de um belo plano do clube das 5 (quase sempre incompleto), de uma fuga para as terras a sul francesianas. Deixou-me com desejo de o explorar e de nos desafiar-nos à aventura mais internacional que alguma vez fizemos (nacionais já contamos algumas a 5, 4 ou 3).

    Beijo grande de saudade meu metro e 74!

    1. Obrigada por passares por aqui minha Algarvia roliça!! Saudades de ti!! É uma viagem com um grande potencial exploratório, especialmente se for para aventurar no veículo caravana! ahahah
      ❤ beijone grande!!

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