En route to Palawan, Philippines

PART I

“Somethings you see with your eyes, others you see with your heart”

Mae Herrera. A Mae foi o meu primeiro contacto com a cultura Filipina, a minha primeira flatmate no Dubai. Depois de ouvir relatos de relações “intra-assoalhadas” mal sucedidas, dei graças aos Deuses por ter sido a escolha aleatória do departamento de alojamento para viver com ela. Estava de férias quando cheguei mas, o bilhete e a fatia de bolo de chocolate que deixou no frigorífico desfizeram as amarguras do meu primeiro dia de emigra. Quando fiz o primeiro voo para Manila aconselhou-me a experimentar Sisiq – “não perguntes, come..!” – disse-me. Era arroz frito com uma data de partes acessórias do porco, normalmente não comestíveis – orelhas, cauda, nariz.. – e tudo aquilo já marinava no meu estômago antes que pudesse dizer ao empregado para parar a descrição.

Esta viagem não começou bem. Partida marcada para 27 e virose estomacal a 25. A minha mãe salvou-me. Não é médica nem farmacêutica, mas em 29 anos de progenitora é capaz de um diagnóstico apurado, tal como o tempus, a máquina para lidar com emergências a bordo. Depois de ligada ao passageiro, é conectada para um hospital no Arizona, como um telefonema. O quadro clínico é passado para um médico que descreve o procedimento para tratar do passageiro. É assim que funciona com a minha mãe. Eu ligo o skype, soletro os sintomas, ela faz o diagnóstico e prescreve os medicamentos – “..e uma canjinha e isso passa, sabes fazer uma canja..?”. A tecnologia é de facto uma benção, resolve problemas “à la media” e estremunhada distância. Contudo, ainda não  é capaz de suprimir a necessidade de colo em certas alturas da vida. Mas isso é aquele dado, adquirido no momento em decidimos viver fora.

images

Tudo a postos no dia 27. Mas calma, faltava um episódio “à la Mery” para colocar mais adrenalina na coisa. Esqueci-me do cartão multibanco. Em modo “fast and furious” o taxista lá me levou a casa para o resgatar. De volta ao aeroporto, fui informada que não podia proceder ao check-in e suposto embarque, eram 9h31, o check-in fechava às 9h30. Ah, aquela cara de pokemon menstruado das colegas asiáticas, tão familiar de outras luas aviadoras. Voos atrasam por inúmeras razões, inclusive soube de um atraso de uma hora dada a soltura intestinal imprevisível de um passageiro. E eu ia ser despachada das minhas férias por um minuto? Antes que eu a pudesse “castigar em nome da lua”, outro colega lá tratou da situação. O engraçado é que o voo atrasou mesmo uma hora, dada a distorção do conceito “bagagem de mão” por parte dos passageiros. Esta tem que ser transferida para o porão e resulta, obviamente, em atraso.

Mas, há mais. Chegada a Manila, não havia malas nenhumas. Cerca de 400 malas, inclusive a minha e a da Maro, ficaram para trás, transformando aquele minúsculo aeroporto numa autêntica batalha campal entre os cerca de 200 passageiros e uns míseros assistentes do aeroporto que distribuíam formulários onde era pedida a descrição da bagagem e os seus conteúdos. Exemplo: “Levis blue jeans”; “Lee black t-shirt” – era o tipo de descrição que pedia o formulário. Como é que eu ia descrever aquela cueca azul de marca branca comprada na Feira de Setúbal? Ficámos assim apenas com a roupinha do corpo e com a promessa que a bagagem ia ser entregue no dia seguinte – a piada do dia!

Chegámos a Porto Princesa, em Palawan, por volta das 6h00. Segundo as indicações de Claude, o gerente do Mangrove Resort, faltava ainda uma 1h30 de viagem em autocarro. Acabaram por ser 2h30 de viagem no maior pára-arranca de sempre, pior que um inter-regiões. O pavimento acidentado da ilha sacudia o veículo em todas as direcções, pior que um avião em plena zona de turbulência. “Langogan!!”, ouvimos. Tínhamos, finalmente, chegado!

Mangrove Resort, Langogan 10002991_10152298250611081_487819204_n 10002839_10152298250616081_1838131824_n

Se dizem que o esforço tudo compensa então direi que tudo tem uma razão de ser. Depois destas peripécias chegar a este lugar não soube só a pato, como apurou muito mais a minha capacidade de apreciação e estima por aquele lugar. Senti-me como aqueles dinossaurozinhos que no filme animado buscavam o Vale Encantado, lembram-se? A mãe dinossaura dizia numa passagem do filme “certas coisas vemos com os olhos, outras com o coração”. Eu naquele momento via tudo com o coração, com os olhos, com as mãos, etc. A única coisa que de facto não via vivalma, era a minha bagagem.

Deixámos essa preocupação de lado quando enxergámos o “bright side” da situação. Tudo ali era tão virgem que merecia uma exploração adequada do Design de Moda Sustentável. Por isso não se espantem de ver algumas fotos com o último grito da moda em biquinis de folha de bananeira ao estilo “Jane”.

Não percam o próximo episódio habibis..

MERY AL BONIFÁCIO 

PART I

“Somethings you see with your eyes, others you see with your heart”

Mae Herrera – my first “Pilipino” approach. Mae was my first flatmate. From thousands of flatmate episodes I heard before I moved to Dubai, I was damn lucky to be randomly chosen by the accommodation department to live with her. She was on leave when I arrived, but her welcoming note plus a generous slice of chocolate cake made my first day as an expat. On my first flight to Manila she highly encouraged me to try “Sisiq” – “just try, don´t ask” – she told me. It was fried rice with particular parts of pork, normally, not eatable – ears, tale, nose.. – And then I told the waiter to stop the description while the whole dish was already “marinating” in my stomach. However, it was quite good. Add a San Miguel to it.

The trip didn´t start quite well. I booked the tickets on the 24th and got severe stomachache on the 25th, with a departure booked for the 27th. My mom saved me, she´s not a doctor but she´s totally able of an accurate diagnosis, just like the tempus. For those who are not familiar with the tempus, it´s a machine used to treat medical cases on the aircraft. The machine is connected to the passenger and a call is made to a hospital in Arizona. The information about the passenger is passed through the machine and a doctor on the other side of the lie will tell the best procedure for treatment. This is how it works with my mom: I connect to her via skype, pass her my sings and symptoms and based on that she tells me how should I best treat myself. Although technology solves most long-distance hassles nowadays, it still lacks the capability of surpass cuddle. But that’s something you have to manage the minute you decide to live abroad.

Call MOM

On the 27th I was ready to go. But wait, “Sorry sir, I forgot my debit card!” – and the taxi driver took me back home. He went so fast I was getting stomachache again. But it was not over yet: “I can´t let you embark, it´s 09h31”. Check-in was at 09h30. Again, that cold irritated Pokémon face of the Asian ground staff I knew already. Airlines handle passenger´s delays for one hour due to Duty Free shopping and for one minute I was not going to be checked in? Before I could transform into a dragon ball super warrior, another ground staff rescued me and managed to check my baggage and put me on the flight. The funny thing was, we did actually got delayed for one hour due offloaded baggage. People totally misunderstand the carry-on baggage concept, bringing jumbo suitcases aboard. And for 1 minute I was almost dispatched from my holiday. Certainly.

But wait, still, it was not over yet. Arriving in Manila International Airport, there were no signs of our bags. One of the cargos was left in Dubai installing the chaos with massive queues and passengers screaming. We were promised our bags to arrive the next evening. Right!

Although we were left only with the clothes we carried in our body, we decided to take the whole bright side about this episode. Since we were heading to a remote area, nothing better than explore the whole concept of Sustainable Fashion Design with a couple outfits imported directly from nature… perhaps a palm tree leave Jane style bikini? Only imagination could stop us now!

We reached Puerto Princesa around 6am in the morning. “Head to San Jose Bus station, take a bus to El Nido and tell the bus driver to leave you after Langogan River Bridge, it will take about 1h30” – said Claude, the resort manager on a personalized e-mail sent days ago. 2h00 later and we were still inside the bus. It was stopping every minute like an inter-region train and was bumpier than an aircraft passing a turbulence zone. “Langogan”, we heard! We were there!

Mangrove Resort, Langogan 10002839_10152298250616081_1838131824_n Mangrove Resort

If effort compensates at all, then I do believe everything happens for a reason. All these obstacles made the scenario appreciation we found there even more accurate. I felt like the little dinosaurs on the movie The Land Before Time, remember? Momma dinosaur tells to Little Foot “something´s you see with your eyes, others you see with your heart”. That moment I was feeling and seeing everything with everything I could – eyes, nose, mouth, ears, hands – the only thing I still didn´t got a glimpse of, was my backpack. But with all the this scenario, who cares anyways?

Stay tooned for the next episode habibis..!

MERY AL BONIFACIO

 

2 thoughts on “En route to Palawan, Philippines

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s