Happy New Year

O meu ano acabou assim.. com um post do blog no P3 – um óptimo presente de Natal e um óptimo começo de ano.. para mim e para este mesmo blog.. a minha janela para casa! A pedido de algumas famílias que não falam português, traduzi, como já é costume, a crónica que saíu no P3. Desejo a todos um excelente 2013 e um obrigado gigante a todos os seguidores e novos seguidores do blog! Novos posts para breve.. mi aguardem..! 🙂

“É ao som de uma melodia arabesca que escrevo, vinda directamente da radiofonia do rapazito da recepção” – escrevi há exactamente um ano quando cheguei ao Dubai. Hoje, oiço o mesmo tipo de melodia, fruto do fenómeno aculturação. Gosto de deambular o ouvido pelas pautas do deserto.

Lembro de me sentar na minha nova cama e perguntar: “mas que raio estou eu aqui a fazer..?”. Mais tarde descobri que todos os meus colegas fizeram a mesma pergunta quando aterraram no novo quarto, espaçoso de mais para uma alma emigrante, frágil e ainda tão amedrontada.

As respostas são muitas: porque em Portugal não há condições para começar uma “vida”, porque o próprio primeiro minstro aconselha os jovens a emigrar. Creio que a “desculpa” maior é o desafio imposto em desenraizar de casa, criar raízes noutro canto do mundo e enriquecer por dentro. Cresce-se, aprende-se, desafiamos limites, ultrapassamos barreiras pessoais.

A palavra saudade dilacera-nos. Aprendemos a coexistir com ela como um booster de energia – condensamos os kms2 de Portugal Continental no coração. Vamos lá buscar algumas lembranças de momentos e de nós mesmos quando a nossa identidade se difunde num dia-a-dia diferente do que nos era habitual. As lágrimas rolam pela face quando gestos ou expressões de outrem nos lembram as nossas origens hereditárias, as nossas amizades mais belas. Mas, está tudo bem! “A gente desenrasca-se”! No final, não há português mais feliz que aquele que de estômago saudosista aspira todos os pitéus da mãmã. A casa é o melhor lugar do mundo e enquanto nos moldamos nos meantros do crescimento, ela não muda. Mantém-se para nos receber com o mesmo cheiro e tudo no mesmo lugar, tal e qual como a deixámos.

Aqui os homens vestem-se de branco e as mulheres de preto. Eles têm um lenço na cabeça, elas deixam apenas os olhos a descoberto. E no meio disto tudo um sem número de etnias veste-se em concordância com o humor matinal da sua própria cultura.

Aviões descolam e aterram. Há sempre luzes no céu. A toda a hora chegamos, partimos ou deambulamos em dias de folga. Nem sempre em concordância com os outros que nos preenchem a vida aqui, o que nos torna saudavelmente viciados nas novas tecnologias. Whatsapps, skypes, bbm´s tornaram-se ferramentas essenciais na nossa vida social e emocional pelo conforto de saber que à distância de um click podemos viajar em fusos horários e comunicar a kms de distância. Isso traz-nos o conforto da proximidade e de pertença, preenche-nos a alma numa profissão que por vezes pode ser muito solitária, não só pelo facto de estarmos longe de casa mas porque trabalhamos com pessoas diferentes todos os dias, onde o tempo, na maior parte das vezes, não dá para transformar um colega num amigo; e a fase de introdução e das primeiras impressões é inerente a cada voo.

Quase nunca sei quando é 2ª ou fim-de-semana. As minhas horas laborais já não são distribuídas uniformemente pelos dias de semana, o que aboliu qualquer tipo de rotina da minha vida. Os meus meses são apenas geridos pelo número de horas que estou no ar e os dias que estou em terra. Não me importo. Nunca fui muito compatível com esse tipo de rotina laboral, de modos que me sinto bem à deriva pelos dias da semana, perdida em fusos horários, por vezes “bêbeda” em jetlag.

Somos cada vez mais portugueses aqui e já abriu um restaurante Português onde já podemos disfrutar de um fadinho e de um caldo verde para aquecer a alma. Creio que já faltou mais para o surgimento do fenómeno “bailarico” no Médio Oriente.”

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Insha Allah Habibis!

Mery Al Bonifácio

2012 finished with a post from my blog on a Portuguese newspaper. It was an awesome gift and an awesome way to begin a new year. A new beginning for this same blog.. my window for home. I translated the post as usual, for the comfort of your reading. I would like to thank to every single person who click and read this blog and a BIG THANK YOU to all my followers and new followers! New posts are coming..! That´s a promise! 🙂

“It´s within an arabic song, coming from the security´s radio, that I´m writing these lines” – I wrote one year ago when I arrived in Dubai. Today I hear exactly the same kind of music, due to the acculturation phenomenon. I like to ramble my ears through the desert “habibi” melodies. 

I remember sitting in my new bed and ask myself: “what the hell am I doing here?”. Later I found out that all my colleagues did exactly the same question when they “landed” on their new room.. too spacious for such scary and fragile soul, still trying to ease towards the unknown and the fact that everything that matters, was just left behind. 

The answers may vary: because back home there are no conditions to start a proper life; because even our prime minister advises youngsters to emigrate and get the hell out of the country. I believe the best “excuse” may be the challenge of detaching your roots from everything you know and create new ones in another place. You grow and enrich, challenging limits, overcoming personal barriers. 

“Saudade” is the portuguese word to name the feeling of missing something or someone. We learn to live with it like an energy booster. We shrink the country inside our heart and once in a while we go there to get memories, moments and our own selves when our identity gets mixed in such different day-life. Tears roll down the face whenever someone remember us by our inheritance roots, our most beautiful friends. But it´s ok.. we make it through.. In the end.. there´s no happier portuguese than the one who arrives home ready to “vacuum” mama´s homemade food. Home is the best place in the world. While you change on the midst of growing, it remains the same just like we left it.

Here, men wear white and women black. Men have a scarf on their heads while women only uncover their eyes. Meanwhile, 90% of other nationalities get dressed according to their culture´s morning mood. 

Aircrafts take-off and land. There´s always lights in the sky. We arrive, depart and ramble throughout days-off. Not always in accordance to the ones that fulfill our life here, which makes us addicts of new technologies, but in a healthy way. Whatsapps, skypes, bbm´s are fundamental tools to maintain our social and emotional life. We´re able to reach different timezones and places from every corner of the world. That keeps us close to each other, belonging to each other in a job that can be quite lonely sometimes, not only because you´re far away from home but because you travel with different people every single flight, where time is not enough to turn a colleague into a friend and to step forward first impressions. 

I barely know when it´s monday or sunday. My working hours are no longer equally distributed through the week days, which abolished any type of routine from my life. Months are mainly managed by the number of hours I stay on ground or on the sky. I don´t mind at all.. I was never compatible with labour routine, so it feels good being adrift throughout weekdays, lost in timezones, sometimes “tipsy” in jetlag. 

There´s portuguese people arriving here every time. A portuguese restaurant opened months ago. We can warm our souls with “caldo verde” and fado songs – signature of our “Opaa Portuguese Style” (woop, woop, woop, woop..) 

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Insha Allah Habibis!
Mery Al Bonifácio

3 thoughts on “Happy New Year

  1. E acabou muito bem, pois foi com ele que descobri este blog, e não perdi um segundo em começar logo a seguir este historial de aventuras!!!Excelente ideia 😉 Eva Naice Flait! beijinhos

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