We don´t need Casablanca after all..

I could never begin this post about Morocco without first introduce my lovely French Moroccan flatmate – Fatine Ghouzali aka Mini Gangsta aka The boss – because she is in fact “the boss” in several occasions. Go to any kind of Arabic market and watch carefully her bargaining skills! There’s no shopkeeper who will take advantage on the pricing process.. ” no, no, no, no ma friend.. This is my last offer.. I’m happy, you’re happy… We’re all happy! Take it or leave it..! – sometimes she didn’t even wait for an answer! She simply takes the items, pays and halas..! Adding to this.. Her cute French accent combined with her very long black curly hair, her tall posture and her very dolly face.. I mean.. Who dares to bargain longer against that?

I remember this time on the souk, I reached her after taking a certain amount of time bargaining for a pair of shoes, which I got with a very reasonable discount in my opinion.. When I told her for how much I got them she just sigh with a very big smile “awwww you’re such a baby bargainer.. Ahahaha”.

And that’s fey..!

When she came back from her leave, our house was assaulted with Moroccan items and food. Our boredom brown couches welcomed a new era of colorful Moroccan fabrics and pillows. She brought the most juicy dates ever along with all kinds of Moroccan sweets, which were in fact too sweet for my taste, but..  “That’s why Moroccans are the sweetest people on earth… Ahahah” she replied. The Moroccan tea, which she meticulously prepares, is also high sugar level, yet irresistible! I have never seen such tender dedication to a teapot. Before you drink it there’s a ritual to ensure the sugar is well mixed with the tea – that’s fey’s favorite part. Highly concentrated like a scientist who’s mixing dangerous substances in a lab, she holds the silver pot very high and pours it into a small cup. Then she pours the tea back into the pot. She does this at least 3 times until she’s happy with the final result. First time me and Susana watched her doing this, explaining the reason of such thoroughfully process, we merely asked laughing at the same time “cant we just mix it all with a spoon instead of doing this 3 or 4 times..? – she looked at us terrified.

Worst was when we both got from leave second time.. She brought a bunch of smelly french cheese and I brought some pounds of smelly codfish! Our fridge was unbearably smelly by that time, yet carried the best of both France and Portugal – the cheese and the codfish! You always have to look at the bright side of things, specially when the situation is infesting your kitchen.

About Casablanca itself I have quite few to say because I was not lucky at all with the weather and the tour guide declined our sightseeing for that day. It looked like a hurricane was crossing the city and I ended up on restaurant  eating lamb tajine with plums and almonds along with a very fresh Casablanca beer, with the rest of the crew. And that was basically.. My Casablanca layover!

Back home fey’s family had just arrived and I regretted forever not continuing my French classes.. I knew so few and understood so little of what they were speaking! I needed translation most of the times and to speak I used the google translator with my iPad always nearby. That day her mom was preparing lamb tajine  on a massive plate with carrots and peas. The meat smelled beautifully. All hands on the plate and fingers slicing the meat, along with the Arabic bread. That’s how you eat on a Moroccan way.. No plates or clutter needed.. Just a huge appetite and an amnesia of what you´ve been taught all these years about not eating with your own hands and lik the fingers after. For this meal’s happy ending, Moroccan tea was served!

In the end.. we may always have Casablanca, but in this case, was just right on the so called home!

Happy Birthday Fey!!

Insha Allah Habibis!

Mery Al Bonifácio

Nunca poderia começar este texto sem primeiro introduzir a minha “french-moroccan” companheira de casa – Fatine Ghouzali a.k.a. “Mini-Gangsta”, a.k.a. “The Boss”, isto porque frequentemente ela é “The Boss”, mais precisamente no processo de regatear preços mais baixos nos souks, os tão afamados mercados arabescos. Não há vendedor que lhe passe a perna.. “na, na, na.. amigo.. esta é a minha última proposta.. ou é ou não é.. você fica feliz, eu também.. todos lucramos! É pegar ou largar..”. Às vezes ela nem espera por uma resposta.. saca os objectos em questão, coloca o dinheiro em cima da mesa e.. halas! Negócio fechado! Há ainda o sotaque francês, os seus longos cabelos pretos e encaracolados, uma postura alta e feições de boneca.. mas quem é que se atreve a regatear contra tudo isto?

Relembro uma vez que cheguei ao pé dela bastante orgulhosa com um par de sapatos que me “custou” uma meia hora para regatear um desconto razoável. Lá consegui baixar o preço até onde queria e confesso que o meu “ego de regateira” inchou um bocadito! Quando lhe disse o preço que tinha pago suspirou.. e sorrindo bastante disse-me.. “you´re such a baby bargainer.. hahahah”.

E assim é a Fey!

Quando veio de Marrocos de férias, o nosso apartamento foi invadido com items e comida marroquina. O enfadonho castanho dos nossos sofás foi substituído por uma nova era de almofadas e tecidos marroquinos de cores alegres. Trouxe também as tâmaras mais sumarentas e deliciosas que alguma vez provei, assim como também toda uma variedade de outros doces marroquinos, propícios a um ataque hiper-glicémico, dada a quantidade de açucar com que são feitos. “É por esta razão que nós Marroquinos somos considerados as pessoas mais doces do mundo..!” disse-me rindo. O chá marroquino que ela meticulosamente prepara leva igualmente uma quantidade astronómica de açucar. Contudo, é delicioso! Nunca vi ninguém com tamanha dedicação a um bule de chá. Antes de se beber o chá em si, há todo um ritual para misturar o açucar para que o resulado final fique no ponto – é a parte favorita da Fey. Altamente concentrada como um cientista que mistura químicos altamente perigosos num tubo de ensaio, ela segura o bule  de prata elevando-o até onde o braço permitir e deita o chá para um pequeno copo de vidro, onde posteriormente se bebe o chá. Depois volta a colocar o conteúdo no bule e executa este processo pelo menos três vezes até alcançar o resultado desejado. A primeira vez que eu e a Susana observámos tal ritual, ao mesmo tempo que ela nos explicava que esta era maneira correcta de misturar propriamente o chá e o açucar, simplesmente lhe perguntámos em tom de gozo – “Não é mais fácil pegar numa colher e misturar o açucar todo logo de uma vez em vez de estar a fazer isso três ou quatro vezes..?”. Ela olhou-nos aterrorizada.

Pior foi quando voltamos ao Dubai depois de umas férias nos nossos respectivos países.. ela trouxe uma data de queijo francês bastante mal-cheiroso e eu trouxe 3kgs de bacalhau igualmente mal-cheiroso. O nosso frigorífico emanava um aroma inexplicável, contudo, continha o melhor dos dois países. Há sempre que olhar para o lado positivo da situação, especialmente quando a mesma infesta toda a cozinha.

Acerca da viagem a Casablanca, devo dizer que tenho muito pouco a dizer, pois não tive sorte nenhuma com o tempo. Quando me preparava para visitar a bendita cidade, desabou o carmo e a trindade, naquilo que parecia um parentesco ligeiramente afastado do Sandy. Foi-nos recusado o passeio pelo guia turístico e acabámos num restaurante local a comer Tajine e a beber cerveja Casablanca – bem fresca e saborosa por sinal. Voilá.. foi isto que fiz nas 24 horas de layover em Casablanca, mais o visionamento de alguns programas portugueses da rtp internacional, enquanto a chuva inundava a cidade lá fora.

Quando voltei ao Dubai a família da Fey tinha acabado de chegar para umas férias no deserto. Arrependi-me amargamete de não ter aprofundado  os meus conhecimentos na língua francesa, pois pouco percebia do que falavam e para me explicar usei constantemente o google translator no iPad, que não larguei para este propósito. Nesse dia a mãe da Fey preparou Tajine de Cabrito, servida num amontoado de cenouras e ervilhas cozidas. A carne tinha um aroma delicioso a especiarias. Não havia talheres na mesa e mergulhámos as mãos no prato, despedaçando o cabrito com os dedos, acompanhando com os vegetais e pão arábico. É assim que se come em Marrocos..! Não há pratos nem talheres.. apenas apetite e uma crise amnésica em relação ao que nos ensinam na infância sobre não comer com as mãos e lamber os dedos a seguir..! Para acabar a refeição em beleza.. chá marroquino!

E pronto.. Uma parte de marrocos estava instalada na minha casa! O que vi apenas com os olhos em Casablanca, saboreei com todos os sentidos quando voltei a Casa..! Nunca tinha feito tanta justiça à frase “Vá para fora, cá dentro!”

Parabéns Fey!! e um dia muito feliz!

Insha Allah Habibis!

Mery Al Bonifácio

 

11 thoughts on “We don´t need Casablanca after all..

  1. Que delicia de post :))) ainda andas de dedos cruzados??? Eu vou apelar pro Papai Noel e quem sabe nosso pedido se realize o quanto antes!!!
    Beijinhos minha marineidje e curte muitoooo
    :)) saudadeeee ❤

  2. Olá Maria! Não me conheces mas sou tripulante de bordo na Emirates como tu. A minha irmã mandou-me o link com um dos posts (retirados do teu blog) no site do Publico P3 e tive curiosidade em vir espreitá-lo. Tal não foi o meu espanto quando vi no teu último post que és colega de casa da Fey! 🙂 Voei com ela para Roma e lembro-me dela dizer que tinha umas amigas portuguesas e que moravam perto do meu prédio. Perdi o contacto com ela pois embora me tenha escrito o seu nome no facebook, nunca consegui encontrá-la e não trocámos números de telefone. (Nada que não passe a vida a acontecer, mas fiquei com pena porque achei-a um doce de pessoa e divertimo-nos bastante em Roma. 🙂 ). Quero felicitar-te pelo teu blog (acho fantástico que no meio de vôos e jet lags tenhas a disciplina de escrever longos textos pormenorizados e em duas línguas!) e perguntar se podes mandar um beijinho à Fey por mim. 🙂 Muitas felicidades e BOM NATAL! 🙂 ***

    1. Olá Joana!! Obrigada pelas tuas palavras! Gosto sempre de saber das pessoas que seguem o blog que afinal, é a história de todos nós aqui na Emirates! O teu beijinho será entregue à Fey! Moramos em Al Qamzi 1105!, Al Nahda! És sempre benvinda a aparecer! 😉 Beijinhos e Feliz Nata!!!!!!

  3. Muitos Parabéns pelos detalhes neste blog que ajudam a entender a vida dos comissários de bordo, a azáfama ,esforço,dedicação, que exige esta profissao! Estou a adorar, já devorei uns quantos posts.
    Gostaria de perguntar,se dpois de saberem oque sabem actualmente, sacrificios que fizeram,saudades da familia,longe da nossa cultura e brandos costumes, se me aconselham a ingressar na vossa Companhia, assim que haja um Open day de novo ?
    E gostaria de saber que condições salariais dão etc,ando meio maluquinho a explorar a net, e vim aqui parar 🙂 é bom ver os portugueses a enveredar por outros mundos bem longe daqui de Portugal.
    Bem sei q as minhas perguntas sao incomodativas,se me puderem responder pro mail agradecia.
    Bons voos, e muita força e energia pros vossos objectivos!

    1. Olá Guga!
      Obrigada pela tua visita ao blog e pela força que mandas da terra-mãe! Que bom que estás a gostar!! 😀 Fico sempre super feliz de saber isso!
      Podes-me tratar por tu.. somente eu escrevo neste blog que é da minha autoria. 😉
      Envio-te em breve um e-mail com os detalhes às perguntas que fizeste!
      Boas entradas e boa sorte!!

      Maria Bonifácio Lopes

      1. Vivas Maria,

        É um blog explendido mesmo, o detalhe impresso nas tuas descrições acompanhadas de imagens, dão a impressão de que somos a pequena mosquinha que acompanhou essas aventuras também, é impressionante mesmo. O episódio do cederes o chapéu para as fotos, é girissimo, eu também tenho essa impressão de que as Hospedeiras da Emirates são umas Movie Stars, porque toda a indumentária é a meu ver única e de um glamour vintage impressionante! Fantástico! Só com a Emiraste vindo cá a Portugal com os Open Day, é que me apercebi que a mitica farda é da Emirates 🙂
        Ultimamente ao devorar a série, Portugueses pelo Mundo(já vi a do Dubai) tenho tentado ganhar coragem e frieza para sair desta inércia que aqui se vive. Ainda bem que aqui vim parar 🙂
        Obrigado pela resposta rápida Maria, bons voos!!!
        Bom fim de ano, e sempre muita energia!

        Guga

  4. Excelente blog. Sei que o tempo é curto para escrever, mas por favor não deixe de actualizar o blog. Ontem partiu mais uma portuguesa para a Emirates. Da minha família…

    1. Não se preocupe Luís.. não me tenho esquecido de o actualizar.. o próximo post já está pronto e sairá em breve! Esteja atento ao p3 também..! 😉

      Beijinhos e obrigada pela visita ao blog!

      Maria Bonifácio Lopes

  5. Olá Maria Lopes, estou a seguir o teu blogue. ADORO!!! Ao ler os teus maravilhosos textos, eu viajo contigo, ou melhor, vejo com os teus olhos, e sinto com o teu coração e a tua alma. Continua!!! Obrigado

    Ps: Sou mãe de uma rapariga de 24 anos que é tua colega… a Susana Pereira

    1. Cidalia obrigada por toda a força! 😉
      Vou continuar sim.. só ha um sentido a seguir agora.. para a frente!!
      Um grande beijinho das Arábias!
      Não conheço a Susana, mas de certeza que nos havemos de cruzar um dia destes!
      Beijinho!

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