Ramadan – The Holy Season

O Ramadão acabou há coisa de 2 semanas. We´re “Rama-done”.

Para os Muçulmanos foi um mês sagrado. Para nós, os “west-siders” que temporariamente abraçaram o médio-oriente como a sua segunda casa foi, maioritariamente, um mês “castrado”.

Devo confessar que, apesar de ter saudades de casa como qualquer cidadão que se preze, gosto de viver nesta parte do mundo. É uma experiência de vida e uma troca de culturas incomparável. As cores pálidas de areia, o misticismo do deserto, as túnicas e turbantes, as temperaturas típicas de uma sauna, as melodias arábicas e o som daquela língua estranha que por tudo e por nada nos chama de “habibi”. No médio-oriente o travo do proibido vive de mãos dadas connosco. Mas ao longo de toda a história da humanidade.. o fruto proibido não é mesmo o mais apetecido?

O Ramadão é o 9º mês do calendário Islâmico. Começou dia 20 de Julho e terminou a 18 de Agosto. Durante este mês, os Muçulmanos pedem perdão e orientação nas suas preces, purificam as suas almas através de boas acções e da prática do jejum. O jejum funciona como uma espécie de meditação: ensina os muçulmanos a serem pacientes colocando-os no lugar dos mais desfavorecidos , experimentando por si o que é viver com fome ou sede, encorajando assim a caridade (um dos 5 pilares do Islão – ver o post “Os 5 Pilares do Islão).

Ao pôr-do-sol o jejum termina, seguido de uma refeição designada de Iftar. A partir daqui os Muçulmanos podem enfardar tudo o que virem à frente até ao nascer do sol, que normalmente é precedido de outra refeição designada de Suhur. Entre a Suhur e o recomeço do jejum, temos o Imsak – o ponto de partida para o jejum.

Por todo o Dubai, hotéis e restaurantes celebraram as Iftars, abrindo deliciosos buffets arábicos para todo e qualquer cidadão tirar o maior partido desta celebração religiosa arabesca – O Ramadão. Quanto a mim.. tive Iftars em casa todos os dias em que compareci nos meus aposentos quando não estava a voar. A minha “french/moroccan” companheira de casa é muçulmana e, como tal, acompanhei de perto o seu processo no que toca ao jejum. Estive por instantes motivada a experimentar tal coisa, uma vez que dizem ser uma óptima forma de desintoxicar o corpo de toda a intoxicação a que o sujeitamos durante o resto do ano – tabaco, álcool, fast food, etc, etc. Rapidamente desisti da ideia de todas as vezes que acordei de manhã a implorar um bisonte para o pequeno almoço, especialmente depois de alguns voos domésticos bastante exigentes ao nível da minha paciência profissional. No entanto, as Iftars foram sem dúvida momentos gastronomicamente felizes cá em casa, onde passei a conhecer algumas especialidades marroquinas.

As minhas preferidas foram sem dúvida o chá marroquino, o pão marroquino e bolo marroquino. O chá marroquino é feito à base de chá verde, com mentol e uma dose de açucar altamente hiper-glicémica. O bolo marroquino é parecido à broa de milho, mas um pouco mais seco e tem a forma de uma panqueca. Depois de o trincar desfaz-se na boca como aqueles bolos meio areados. O bolo marroquino é basicamente o pão marroquino todo desfeito num prato com manteiga e mel por cima. Come-se com as mãos, usando o polegar, o indicador e o dedo do meio como umas pinças que recolhem os minúsculos pedaços do bolo, de tamanho migalha, juntado-os num aglomerado maior que vai directamente para a boca. Lambe-se os dedos no final. Todos os doces marroquinos têm uma percentagem bastante elevada de açucar, razão pelo qual os marroquinos são considerados as pessoas mais doces à face da terra – isto dito pelos mesmos.

Acompanhei uma ou outra Iftar com bacalhau com natas – uma das relíquias gastronómicas tugas mais elogiadas neste canto do mundo.

O Islamismo compreende 3 lugares sagrados – Meca, Medina e Jerusalém. Meca é a cidade que move a maior parte do mundo Islâmico numa peregrinação gigantesca designada de Hajj, que todo e qualquer muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida. Esta peregrinação é feita até Meca pois foi aqui que Deus – Allah – revelou a sua vontade ao profeta Muhammad, razão também pelo qual quase todo o cidadão arabesco tem o nome de Muhammad. Funciona como o nome João típico do nosso belo cantinho ocidental portugalesco. Medina é a segunda cidade mais sagrada pois foi a casa do profeta Muhammad depois da Hajj. Jerusalém é a 3ª cidade mais sagrada. De acordo com uma rápida e não muito cuidada pesquisa “wiki” , foi em Jerusalém que Muhammad ascendeu aos céus a partir de um sítio específico, que hoje em dia é turisticamente muito visitado, designado de “O Domo da Rocha”.

Os Muçulmanos também realizam a Umrah – uma peregrinação menos longa que a Hajj e que pode ser feita em qualquer altura do ano, se bem que grande parte dos seguidores do Al Qurão, prefer fazê-la durante o Ramadão. Desta forma, eles viajam na Emirates para Jeddah, Arábia Saudita – o principal ponto de partida para Meca e para o início da peregrinação.

Digamos que a Hajj está para o caminho de Santiago, assim como a Umrah está para o passeio religioso que todo o português faz pelo menos uma vez na vida: “ir ali a Fátima queimar uma velinha e já venho!”

Ao fazer a Umrah, os muçulmanos entram num estado de santidade absoluto – Ehram – onde colocam umas vestes especiais sem costura e se abstêm de qualquer acto de violência ou de motivos de discussão. A Ehram é feita em pontos terrestres específicos estabelecidos pela religião designados de “Miqat”. Estes pontos  são anunciados com antecedência durante os voos para Jeddah. Antes de alcançar os “Miqat”, os homens colocam duas peças de roupa sem costuras que se chamam de Ihram. Uma delas é colocada à volta de todo o corpo, cobrindo-o e deixando os braços a descoberto. A outra é colocada à volta dos ombros. A razão por detrás destas trocas e baldrocas das vestes arabescas é muito simples.. desta forma não se distinguem ricos de pobres. Independentemente do seu status social, quando em peregrinação, os muçulmanos estão ali para um único propósito – adorar Allah, o seu Deus: “There is no God, but God”.  As mulheres por seu turno, podem completar a peregrinação com as suas vestes usuais.

Embora não tenha praticado o jejum, confesso que o Ramadão foi para mim e para outros tantos assistentes de bordo, um teste à nossa paciência. Durante este mês não se pôde beber ou comer em público, significando isto que todos os restaurantes, starbucks, costa cafés e postos do género (mesmo dentro dos centros comerciais) até podem estar abertos.. mas só para “take-away”. Qualquer acto que implique saciar a sede ou a fome em público pode ser punida por lei e é considerada como ofensiva para os nossos colegas muçulmanos. Portanto, não há cá sacar da garrfinha de água e da barra de cereal no autocarro para casa. Tal acto tem potencial para ferir susceptibilidades e a nossa carteira através do pagamento de multas. O melhor exemplo disto foi o meu colega Hugo Amaral, que apesar de ter dito à sua mãe todas as razões e mais alguma para não o visitar no Ramadão, ela foi na mesma. Como não podia comer em público aquando uma visita ao Dubai Mall, o Hugo colocou-a na casa de banho onde ela pôde saciar o estômago.

O nosso “dress-code” também se alterou um pouco.. não aos calçonetes e saias acima do joelho, nada de tops cai-cai, alças ou qualquer outra que esponha os ombros, roupas justas ou reveladoras demais de formas voluptuosas do corpo humano. Roupitas tipo saco-de-batata são o ideal para não desviar os arabescos para pensamentos ou actos impuros numa altura tão sagrada. É óptimo para quem esteja a pensar tornar-se aspirante a freira, pode funcionar como uma espécie de preparação à coisa.

Tudo o que é discotecas e bares com venda de álcool ao público esteve igualmante fechado! Minto.. houve um bar que esteve aberto e até vendia álcool, mas tinha feito melhor figura se estivesse fechado, pois nem música apresentava e o resultado foi uma enchente infernal quase todos os dias da semana numa espécie de confraternização da sardinha em lata. Ir à praia é igualmente impensável nesta altura do ano.. não por ser proibido, mas pelas temperaturas de quase 50º que se fazem sentir. É uma sauna de cidade e esqueçam a escapadela para o mar para fazer o contraste quente e frio.. a água está igualmente quente que nem uma canja de galinha acabadinha de ir ao lume. No Dubai dizemos.. mal posso esperar pelo Inverno para ir à praia. Venham Setembro, Outubro, Novembro…

Deixo-vos em baixo um pequeno dicionário arabesco do Ramadão..

Hajj – Peregrinação até Meca
Umrah – Peregrinação menos longa que a Hajj
Ehram – Entrada no estado de santidade, antes de se realizar a Umrah
Miqat – O lugar designado para fazer uma promessa para completar a peregrinação
Suhur – A refeição que antecede a madrugada
Imsak – O ponto que corta a Suhur e anuncia o começo do jejum
Iftar – A refeição que quebra o jejum
Azan – A chamada para a reza ao nascer do sol

Insha Allah Habibis!

MERY AL BONIFÁCIO

Ramadan is over! We´re Rama-done!

This was a month of restricitions to us.. the westerns who embraced the middle-east as our second home. I must say, although I miss home as expected, I do like to live in this part of the world. It is a uncomparable life experience and a remarkable cultural exchange. The sand, the desert, the dishdashes and the abayas, the sauna temperatures, the Arabic sounds and smells.. middle-east is synonymous of mistery and hidden legends and the sweet taste of forbidden lives hands tight with us..! (Isn´t the forbidden fruit, the most wanted..?)

Ramadan is the ninth and the Holy Month of the Islamic calendar. It commenced on July 20th and ended on August 18th. During this period Muslims ask for forgiveness, pray for guidance and purify themselves through good-deeds and self-restraint through fasting – a practice that encourages Muslims to be patience, modest and spiritual by refraining themselves from eating and drinking from dawn to sunset. Fasting puts you in the shoes of those less fortunate, whereas one can realize how it is to live in thirst and hunger..! In return, this encourages chairity, one of the Islam principles (check my post “The 5 Pilars of Islam).

The fasting ends at sunset followed by Iftar – the meal which follows the breaking of the fast. Before dawn, muslims take the Suhur – the meal that precedes the fasting – followed by Imsak – the cut-off point of Suhur which marks the beginning of the fasting.

Ramadan is for Muslins, as Christmas is for Christians – a very important part of the year where families and relatives gather and eat together. The Iftar is so important for Muslims as Christmas night is for Christians, therefore is not just a mere meal, but a big feast where all the family participates. It mainly contains appetizers, soup, salads, main Arabic courses and desert. However, it varies from country to country around the middle-east.

Around Dubai, hotels and restaurants made special Iftar buffets during the whole month, giving opportunity to all “west-siders” and foreigners in Dubai, the opportunity to try Arabic delicatessens and enter the spirit of Ramadan – but, of course, without the fasting.

As for me.. I had Iftars everyday in my house. My sweet French/Moroccan flatmate is muslin, so I followed closely her fasting process during Ramadan. I was quite motivated to try to fast with her a couple of days, but I easily dropped the idea everytime I woke up in the morning starving and craving for breakfast..! However, Iftars were definitely a very happy part of our day as I tried a lot of Moroccan treats she brought from home while on leave. My favorites are without a doubt the Moroccan tea, the Moroccan bread and the Moroccan cake.

The Moroccan tea is green tea based with mint and lots of sugar. The Morrocan bread is slighty close to the Portuguese “broa de milho” but more dry and in a shape of a pancake. When you put it in your mouth it shreds as if it was a sand cookie. The Moroccan cake is the Moroccan bread shredded into a plate with butter and topped with honey. You just pinch it with your toes straight to your mouth and you end up the process by licking your fingers. All Moroccan treats are said to have tones of sugar, and I checked it myself. That’s why Moroccans are considered to be the sweetest people in the world. Our Iftars were accompanied as well with some Portuguese treats as I made for her some codfish with cream – one of my most famous dishes among the “Dubaien” community.

In Islam there are three holiest spots – Mecca, Medina and Jerusalem. Mecca is the city where Allah revealed his will to prophet Muhammad. For this matter, Mecca captures the hearts of more than one billion muslims scattered all over the globe during Ramadan in a massive pilgrimage called Hajj. No good Muslim feels complete without making the Hajj at least once in their lifetime. Medina is the second holiest city and historically significant for being Muhammad´s home after the Hajj. Jerusalem is the third holiest city. According to a very vague “wiki” research, “Muslims believe that Muhammad visited heaven from a site in Jerusalem”, nowadays called the Dome of the Rock.

Muslims perform Umrah as well – a shorter pilgrimage which can be performed at any time of the year. However some Muslims prefer to perform it during the month of Ramadan. Therefore, they fly Emirates to get to Mecca´s principal gateway – Jeddah, Saudi Arabia. From Jeddah Muslims start their pilgrimage towards Mecca.

While performing Umrah, Muslims enter a state of sanctity – Ehram – which involves putting a particular type of dress and abstaining from acts of arguing, fighting and disputes. Ehram is conducted at specific points fixed by religion called “Miqat”. These points are announced during Jeddah flights. Before reaching Miqat, men put on two clean unstitched white pieces of clothing called Ihram dress. One piece is wrapped around the upper part. The head is left uncovered. The reason of this change of clothing relies on the purpose that everyman, regardless status, are equal. By using the same type of clothing, one will not be able to distinguish between the fortunate and less fortunate. Regardless status, all Muslims gather in Mecca for one single purpose – adore Allah, their God – for “There is no God, but God..”.  Women are allowed to complete the pilgrimage in the clothes they are travelling in.

Ramadan was for a us a test to our patience as well. During this month eating and drinking in public (including restaurants) was not allowed from dawn to sunset. So forget about your bottle of water on your wallet or your favorite candy bars for a snack while you go home by bus.. – you must be discrete at all times, considering the amount of fasting fellows around Dubai. My friend Hugo for example is the best example of this. Although he told her mom why she should not come to Dubai during Ramadan, she came anyways. In order to satisfy her hunger while visiting a “Dubaien” mall, Hugo put her on the toilet whereas there was no place else she could be for the purpose of eating.

Our dress code changed a bit by this time – no shorts or skirts above knee length, no strapless tops, no tight or revealing clothes. Clothes that cover our arms and legs are the appropriated ones. In other words.. we kind of turned into nun aspirants by this time of the year. But seriously.. I saw very few foreigners dressed according to the UAE demands.

Clubs were closed as well, meaning no nights out for us – one of our main entertainments in Dubai. Going to the beach was, and still is, out of question by this time of the year because of the almost 50º degress this city welcomes us everyday. It´s a free sauna city.. You cannot stand more than 10 minutes outside. It will look that you just came from a steam shower.. When summer hits Dubai, we crave for winter. September, November, October.. will be!

Little “Ramadanian” Islamic Dictionary:

Hajj – Pilgrimage to Mecca
Umrah – Shorter pilgrimage to Mecca
Ehram – Enter a state of sanctity
Miqat – The appointed place to make a vow to complete the pilgrimage
Suhur – The meal before dawn
Imsak – The cut-off time for Suhur meal and when the day´s fast begins
Iftar – The meal to break the fast at sunset
Azan – The call of prayer at sunset

Insha Allah Habibis!

MERY AL BONIFÁCIO

2 thoughts on “Ramadan – The Holy Season

  1. Ola..
    Da ultima vez que tive com Muçulmanos no Ramadão vi que realmente jejuam durante o dia.. Mas durante a noite fazem tudo o que não fazem durante o dia. em dobro!
    Muitos dormem durante o dia e acordam antes do por do Sol. No entanto estou a falar de pessoas que conheci profissionalmente no Algarve. Acredito que aí serão mais “sérias”!
    Belo post! Boas viagens!

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